Gravidade exige diálogo
O agravamento da crise na economia não interessa a ninguém, muito menos aos políticos e à estabilidade democrática
As corajosas declarações da presidente Dilma na Suécia, prestigiando seu ministro da Fazenda face aos ataques de lideranças do PT, seu partido, marcam um ponto positivo. Isso em meio a tantas indefinições do governo, que não conseguiu avançar no ajuste fiscal nestes quase dez meses de mandato.
A oposição precisa evoluir para uma postura menos emocional, concentrar seu trabalho em acompanhar e levar para o Congresso os processos tipo Lava-Jato, investigar o paradeiro da sra. Rosemary e seus erros quando em cargo relevante, apurar irregularidades investigadas, afastando funcionários e usando da Receita Federal na busca do que foi sonegado. Inclusive nas manifestações de ostentação dos envolvidos e ocultação de bens em nome de empresas constituídas para este fim.
No mais, nas votações de matérias econômicas, que visam enfrentar a crise, se impõe uma postura mais responsável, através da qual só pode crescer junto à opinião pública mais consciente do país.
O agravamento da crise na economia não interessa a ninguém, muito menos aos políticos e à estabilidade democrática. Hoje, corremos sérios riscos de uma ruptura, já que a coesão e a atuação das forças armadas são desconhecidas e os militares parecem pouco dispostos a intervirem em situação extrema.
Até porque os beneficiários dos 21 anos de ordem e progresso não souberam manifestar, em nenhum momento, reconhecimento.
Empresários, profissionais liberais e a mídia em geral ganharam meio século de liberdade e crescimento econômico e social, dando em troco a indiferença aos movimentos revanchistas. Neste jogo, os militares foram e têm sido impecáveis. Mas é claro que não deixariam a baderna tomar conta das ruas , seja contra ou a favor do governo.
A crise só tende a se agravar, a ganhar velocidade e desgaste internacional crescente. Talvez por saber disso, por elementos que possui, a presidente comece a agir com mais humildade e pragmatismo. Nada de aventuras em momento delicado, com o Brasil cada vez mais isolado, fora dos grandes acordos de comércio, na lanterna do crescimento, das perdas cambiais.
A Justiça deve agir com ampla liberdade, a oposição, com juízo e o governo, com isenção ideológica para que as dificuldades sejam superadas. Quem radicalizar não serve ao interesse nacional.
Todos nós temos nossas indignações com o que passa. Mas o Brasil deve estar acima de emoções. Sem bom senso e um mínimo de paz não chegaremos a lugar algum. A presidente já viu que tem de ser realista e fora da receita adotada pelos países adiantados é o caos . E a sociedade brasileira é informada .

