Inadimplência do cartão de crédito chegou a 7,5% em junho
Segundo Marcelo Noronha, presidente da Abecs, o indicador segue em níveis mais baixos do que os vistos na crise de 2008

A inadimplência do cartão de crédito encerrou junho em 7,5%, acima do indicador visto em maio, de 7,3%, de acordo com a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), com base nos dados do Banco Central.
O presidente da entidade, Marcelo Noronha, diz que, apesar do aumento, o indicador segue sob controle. "A curva da inadimplência é crescente, mas o indicador segue em níveis mais baixos do que os vistos na crise de 2008. Há correlação com o desemprego (que cresceu no Brasil) e isso acontece em qualquer lugar do mundo", destacou ele, em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (01/09).
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A Abecs informou também que os brasileiros gastaram com cartões no exterior R$ 13,4 bilhões no primeiro semestre, aumento de 2,4% ante primeiro semestre de 2014. Já o gasto de estrangeiros no Brasil somou R$ 6,3 bilhões, alta de 1,6%, na mesma base de comparação.
MÁQUINAS
O Brasil alcançou ao final de junho 4,4 milhões de máquinas que transacionam cartões de crédito e débito (POS, na sigla em inglês), número 7,3% maior que o visto em um ano, de 4,1 milhões, de acordo com a Abecs. O tíquete médio das operações nas máquinas, conforme a entidade, ficou em R$ 19 mil, aumento de 2,7% em relação ao visto na primeira metade de 2015, de R$ 18,5 mil.
No primeiro semestre, o aumento mais expressivo foi identificado, de acordo com a Abecs, nas regiões Centro-Oeste, com avanço de 12,2%, e Norte, 10,3%.
Segundo Ricardo de Barros Vieira, diretor executivo da associação, essas taxas de expansão ressaltam o investimento feito pelo setor na expansão da aceitação de cartões e na popularização desses meios de pagamentos. Na Região Sul, a expansão foi de 7,2%, 7% no Nordeste e 6,6% no Sudeste.
CRESCIMENTO DE 10% NA RECESSÃO
Apesar da recessão econômica, o mercado de cartões deve crescer acima dos 10% neste ano em relação a 2014, segundo Noronha.
Caso esse crescimento seja concretizado, o montante movimentado deve ficar, conforme ele, entre R$ 1,075 trilhão e R$ 1,077 trilhão.
Essas estimativas são, porém, menores que as feitas pela Abecs no início do ano, quando projetou incremento de 12% a 13% em 2015 ante o ano passado, alcançando R$ 1,1 trilhão em volume. Em 2014, o crescimento do mercado de cartões foi de 14,8%, para R$ 978,8 bilhões.
De janeiro a junho deste ano, os cartões de débito e crédito movimentaram R$ 509 bilhões, expansão de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Abecs.
Foram 5,5 bilhões de transações com plásticos de janeiro a junho, segundo a entidade, 10,4% a mais, em idêntica base de comparação.
"O setor de cartões tem correlação com o consumo das famílias e vendas no comércio. Se a venda cai mais, a tendência é de um crescimento menor, mas não é isso que estamos vendo hoje. Esperamos manter crescimento anual de 10%", disse Noronha em coletiva de imprensa.
Sobre as taxas de descontos a lojistas (MDR, na sigla em inglês), ele afirmou que a tendência clara é de queda em meio à competitividade entre as credenciadoras (como Cielo, Rede, Getnet, Elavon e outras).
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