Índice de confiança de serviços tem queda em fevereiro
Nove das 13 atividades investigadas tiveram queda na confiança na passagem do mês, de acordo com FGV

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 0,7 ponto na passagem de janeiro para fevereiro, na série com ajuste sazonal, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o ICS saiu de 69,5 pontos para 68,8 pontos no período. Para a instituição, os dados demonstram que a melhora ensaiada no início do ano não se concretizou.
"Os sinais de uma relativa melhora na percepção das empresas registrados no início do ano não se confirmaram em fevereiro. O ambiente econômico permanece marcado por uma demanda em queda, encolhimento do mercado de trabalho e piora nas condições de crédito. Nesse contexto, as avaliações voltam a se deteriorar e o indicador de ímpeto de contratações para os próximos meses prossegue em queda", diz o economista Silvio Sales, consultor da FGV, em nota.
Ao todo, nove das 13 atividades investigadas tiveram queda na confiança na passagem do mês. O resultado geral foi determinado tanto pela percepção sobre o momento corrente quanto pelas expectativas em relação aos meses seguintes.
Em fevereiro, o Índice de Situação Atual (ISA-S) teve queda de 0,6 ponto, para 68,4 pontos, após avançar 2,5 pontos em janeiro. Já o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 0,7 ponto, para 69,8 pontos, após aumento de 0,7 ponto na mesma base de comparação.
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A coleta de dados para a edição de fevereiro da sondagem foi realizada junto a 1.932 empresas entre os dias 3 e 24 deste mês.
INDÚSTRIA
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 1,5 ponto em fevereiro ante janeiro, passando de 76,2 para 74,7 pontos, segundo a FGV. Com o resultado, o índice alcança o menor nível desde setembro de 2015. O ICI está 11,6 pontos abaixo do registrado no mesmo mês de 2015.
Entre janeiro e fevereiro, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 0,5 ponto porcentual, para 73,6%, o menor nível da série histórica, com início em 2001.
A queda do ICI em relação ao mês anterior foi determinada principalmente pelo recuo de 2,8 pontos do Índice de Expectativas (IE), para 72,6 pontos, o menor da série histórica. O Índice da Situação Atual (ISA) também retrocedeu, mas bem menos (0,5 ponto), ficando em 77,1 pontos. Dos 19 segmentos pesquisados, 10 registraram queda da confiança no período.
Em nota à imprensa, o superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr., escreve que "o resultado de fevereiro reforça a suspeita de que a alta da confiança industrial nos últimos meses poderia não se sustentar ao longo do primeiro semestre".
"A queda do ICI devolve mais da metade da alta acumulada entre o mínimo histórico, ocorrido em agosto, e o mês passado. Além de sinalizações de que a demanda interna continua enfraquecendo, a pesquisa mostra uma piora expressiva das expectativas em relação aos próximos meses", afirma Campelo Jr.
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A maior influência na redução do IE veio do ímpeto de contratações nos três meses seguintes. Esse indicador recuou 5,2 pontos entre janeiro e fevereiro, para 73,6 pontos, o menor nível da série histórica. Esse resultado, segundo a FGV, sinaliza que o ajuste do quadro de pessoal na indústria continuará ocorrendo nos próximos meses.
Já no índice de situação atual, a maior contribuição veio do indicador que mede o nível de demanda atual. O dado registrou queda de 2,3 pontos, para 74,8 pontos, o mínimo histórico. Para este resultado, a piora na avaliação do setor sobre o mercado interno, na margem, supera a melhora na avaliação sobre o mercado externo.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) recuou 0,5 ponto porcentual em fevereiro, atingindo 73,6%, o menor nível da série histórica iniciada em 2001.
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