Índice que reajusta aluguel é o menor desde 2012
Com alta de 0,08% em fevereiro, a taxa acumulada do IGP-M em 12 meses é de 5,38%

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou leve alta de 0,08% em fevereiro ante janeiro, divulgou nesta quinta-feira (23/02), a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Essa é a menor taxa para o mês desde 2012, quando houve deflação de 0,06%. No mês passado, a taxa de variação havia sido de 0,64%.
O resultado do IGP-M de fevereiro ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo levantamento Projeções Broadcast, que variava de queda de 0,05% e elevação de 0,15%, mas acima da mediana de 0,02%.
Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA-M saiu de 0,70% em janeiro para deflação de 0,09% em fevereiro.
Na mesma base de comparação, o IPC-M ficou em 0,39% após 0,64%. O INCC-M variou para 0,53%, de 0,29% no mês anterior.
A variação acumulada do IGP-M em 12 meses até fevereiro é de 5,38% e, no ano, o indicador acumula alta de 0,73%.
IPAs
Os preços dos produtos agropecuários no atacado medidos pelo IPA Agropecuário caíram 0,88% em fevereiro após registrarem queda de 1,99% em janeiro, informou a FGV.
Já os preços de produtos industriais mensurados pelo IPA Industrial aceleraram 0,20% ante elevação de 1,73% na leitura do mês anterior.
Os preços dos bens intermediários subiram 0,99% em fevereiro ante alta de 1,05% em janeiro.
Já a variação dos bens finais foi negativa em 0,61% após avanço de 0,18% na mesma base de comparação. Os preços das matérias-primas brutas caíram 0,64% ante alta de 0,91% também no mesmo intervalo de tempo.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve queda de 0,09% em fevereiro depois de avançar 0,70% em janeiro. Em 12 meses até fevereiro, o IPA acumula aumento de 5,53% e, no ano, soma alta de 0,60%.
MARÇO
O IGP-M tem chance de ficar negativo na leitura de março após ter leve alta de fevereiro, de acordo com o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) André Braz.
Com certeza, ele acrescenta, a taxa do indicador em março será menor que a do mesmo mês de 2016 (0,51%).
O economista acredita que se o câmbio seguir valorizado, os preços industriais no atacado devam continuar desacelerando, também por efeito da recessão.
A única exceção é o minério de ferro, que teve deflação de 0,59% nesta medição, mas, de acordo com Braz, não deve continuar caindo.
"O minério de ferro não deve ser mais destaque de baixa nos próximos meses, mas, por outro lado, a celulose e os produtos químicos usados para a fabricação de remédios, por exemplo, devem permitir a continuidade do alívio no IPA industrial."
No IPA agrícola, Braz comenta que o cenário também é favorável. O economista cita, como exemplo, que no primeiro estágio de produção observam-se quedas acentuadas em bovinos (-2,79%) e aves (-7,05%).
"Portanto, esses produtos não terão aumento de preço e ficarão mais baratos para o consumidor", diz.
Essa previsão aponta para um Índice de Preços ao Consumidor - M (IPC-M) também comportado em março em virtude do grupo Alimentação que deve continuar sendo a "âncora" da inflação neste ano.
Braz explica que produtos como feijão e arroz (-6,21% em fevereiro), carnes bovinas (-1,99%) e aves e ovos (-2,18%) estão todos em queda e que há espaço para continuar declinando, já que a taxa acumulada em 12 meses continua alta. O IPC - M de março também estará livre das pressões dos reajustes educacionais de janeiro, completa ele.
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