Índices de confiança do comércio e dos serviços recuam
Para a FGV, os números sinalizam que o PIB dos setores deve continuar em queda

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 4,1% em setembro em comparação com agosto, divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Com o resultado, o índice atingiu 82,6 pontos no período. Trata-se, mais uma vez, do menor patamar da série histórica, iniciada em março de 2010.
"A continuidade da queda da confiança do comércio sinaliza que, no terceiro trimestre de 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve recuar”, afirma Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV. “O setor reclama de fraqueza da demanda, escassez de crédito, custos financeiros elevados e da confiança extremamente baixa do consumidor."
Em setembro, o resultado foi determinado pela piora da percepção dos empresários em relação ao momento atual. O Índice da Situação Atual (ISA-COM) caiu 10,8% neste mês, para 50,4 pontos.
Já o Índice de Expectativas (IE-COM) recuou 0,9% em setembro, para 114,7 pontos, influenciado pelo menor otimismo dos empresários em relação à evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes.
No mês passado, o Icom já havia cedido 4,1% em relação a julho. Com o último resultado anunciado, o índice permaneceu na zona considerada desfavorável à atividade, abaixo dos 100 pontos. A média histórica do indicador é de 119,8 pontos.
Desde a edição de novembro de 2014, a Sondagem do Comércio passou a trazer oficialmente dados com ajuste sazonal. Como a série ainda é recente (iniciada em março de 2010), a FGV adiantou que vai revisar os resultados mês a mês, até que estejam mais consolidados.
A coleta de dados para a edição de setembro da sondagem foi realizada entre os dias 02 e 25 de setembro e obteve informações de 1.213 empresas.
SERVIÇOS
O mesmo pessimismo refletido pela Icom apareceu, também, no setor de serviços.
Em apenas nove meses, a confiança do setor perdeu quase a mesma quantidade de pontos do período entre julho de 2011 (pico histórico) e dezembro de 2014 - ou seja, três anos e meio.
Para a (FGV), trata-se de uma evidência de que a deterioração da confiança de serviços em 2015 tem sido expressiva.
Nos 41 meses transcorridos entre julho de 2011, ponto máximo já atingido no período pós-crise, e dezembro do ano passado, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) diminuiu em 33,3 pontos.
Agora, de dezembro de 2014 para cá, a perda já chega a 32,7 pontos.
No mês de setembro, tanto as avaliações sobre a Situação Atual (ISA-S), quanto as o Indíce de Perspectivas para o Futuro (IE-S) pioraram de forma significativa.
Por isso, a FGV projeta nova queda do Produto Interno Bruto (PIB) do setor no terceiro trimestre. "Ao fim desse período, os indicadores confirmam o aprofundamento do pessimismo nas empresas de serviços", diz Silvio Sales, economista e consultor da instituição.
O ISA-S recuou 12,7% em setembro em comparação com agosto, enquanto o IE-S caiu 6,1% no período. Como resultado, a confiança cedeu 8,4%.
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