Intenção de compra atinge pior nível em SP

Apenas 40% dos paulistanos têm interesse em comprar bens duráveis neste trimestre, de acordo com o Ibevar

Estadão Conteúdo
06/Abr/2017
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Intenção de compra atinge pior nível em SP

A intenção de compra dos consumidores da cidade de São Paulo para o primeiro trimestre deste ano atingiu um recorde negativo, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e o Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Fia).

Apenas 40% dos paulistanos expressam interesse em comprar bens duráveis este trimestre, uma queda de 0,2 ponto porcentual em relação a igual período de 2016, o pior dado para um segundo trimestre desde 2002.

A pesquisa detecta que os consumidores dispostos a comprar devem gastar um pouco menos na comparação com o ano passado.

Em média, aqueles que esperam fazer alguma compra de bens duráveis afirmam que podem gastar R$ 2,34 mil, um valor que, ajustado para o efeito da inflação, é menor que os R$ 2,36 mil identificados na pesquisa do segundo trimestre de 2016.

A queda na intenção de compra não foi verificada entre consumidores da internet.

No e-commerce, segundo a pesquisa que usa dados da Ebit, 85,4% dos clientes afirmam que poderiam fazer uma nova compra neste segundo trimestre, 4,5 pontos porcentuais a mais do que no mesmo período de 2016.

No varejo físico, o item cuja intenção de compra mais caiu é o gasto com eletrônicos.

Uma fatia de 22,5% dos entrevistados diz que espera gastar com esse item no primeiro trimestre deste ano, um recuo de 2,02 pontos na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já em turismo, 7% dos consumidores esperam comprar, o que representa uma queda de 1,26 ponto percentual na mesma base de comparação.

IMPACTO DO FGTS

Na avaliação de Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituo, a liberação de saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve ter baixo impacto nas vendas do varejo.

"A maior parte das liberações é de valores pequenos, os quais tendem a ser direcionados para o pagamento de dívidas".

O pesquisador considerou que tem sido forte o ritmo de promoções no varejo buscando atrair consumidores que resgataram recursos do fundo.

"As promoções estão acontecendo de maneira mais intensa. Onde falta o pão, todos brigam", diz.

As perspectivas para o varejo apresentadas em pesquisa do Ibevar e do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Fia) não são positivas.

O estudo prevê que a queda real nas vendas do varejo ampliado em 2017 possa chegar a até 7% em 2017 na comparação com 2016. Apenas no segundo trimestre é esperado um recuo de até 5,7% ante o mesmo período do ano passado.

A pesquisa detectou ainda que tem se mantido elevado o comprometimento da renda dos consumidores com dívidas assumidas no passado.

De acordo com o estudo, baseado em entrevistas com consumidores na cidade de São Paulo, as pessoas dizem ter em média 22,5% do orçamento familiar comprometido com financiamentos e crediários feitos no passado, alta de 0,5 ponto porcentual ante 2016.

O estudo aponta leve redução no comprometimento da renda com gastos de alimentação e transporte. Com isso, a fatia do orçamento que as pessoas declaram "sobrar" para compras chega a 7,8% na pesquisa sobre intenção de consumo no segundo trimestre de 2017, valor superior aos 5,9% de 2016.

Foto: Fátima Fernandes/ Diário do Comércio

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