Joaquim Levy dá entrevista como economista ortodoxo
Indicado para a Fazenda, ele insistiu em meta de superávit primário de 1,2%, para 2015 e insinuou que apenas crescimento econômico permitirá expansão de programas sociais

O ministro indicado para a Fazenda, Joaquim Levy, insistiu nesta quinta-feira (27) na manutenção do equilíbrio fiscal e o afirmou que a confiança na economia brasileira é fundamental para preservar “os avanços sociais e econômicos nos últimos 20 anos”.
Também disse que “o equilíbrio da economia é condição para esses avanços”, já que o país precisa crescer para suportar as despesas públicas.
Ele, Nelson Barbosa, indicado para o Ministério do Planejamento, e mais Alexandre Tombini, que será mantido no Banco Central, ocupam as três primeiras posições da equipe econômica no segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff. Seus nomes foram confirmados horas antes, por meio de comunicado distribuído pelo Palácio do Planalto.
Ao se referir aos avanços “nos últimos 20 anos”, Levy não se limitou apenas aos mandatos presidenciais do PT e englobou, também, a presidência de Fernando Henrique Cardoso.
O futuro ministro não especificou se aumentará impostos ou cortará receitas para atingir o equilíbrio das contas públicas. Insistiu, no entanto, na prioridade da geração de um superávit primário que deverá ficar em torno de 1,2%, em 2016 e, nos dois anos seguintes em pouco mais de 2%.
Os nomes dos dois novos ministros e da manutenção do presidente do BC foram anunciados às 15h15, paralelamente à convocação de uma entrevista em que eles diriam quais eram seus projetos.

Alexandre Tombini, do BC, Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento. Fotos: Agência Brasil
A decisão já era amplamente aguardada por empresários, consultores e setor financeiro. Não está ainda marcada data da posse. Eles, por enquanto, despacharão de salas que lhes foram reservadas no palácio do Planalto.
Assumirão seus ministérios, segundo voz corrente em Brasília, quando o governo superar dois obstáculos: a aprovação, pelo Congresso, de projeto que flexibiliza a austeridade fiscal e a definição de medidas, agora estudadas por Guido Mantega (atual titular da Fazenda) e Miriam Belchior (Planejameno), para diminuir os gastos públicos.
Pela manhã, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a nomeação de Levy representa uma adesão dele ao projeto de economia do governo, e não o inverso, em que ele disporia de autonomia para aplicar um projeto pessoal. A entrevista de Levy e Barbosa demonstrou não ser esse exatamente o caso.
Tanto o ministro indicado da Fazenda quanto o do Planejamento se exprimiram em termos que os economistas consideram de explícita ortodoxia. Nenhum deles levantou a possibilidade de cortes nos programas sociais, sobre os quais Dilma Rousseff insistiu durante a última campanha presidencial. Mas eles deram a entender que esses programas não serão expandidos, caso continuem a inexistir a possibilidade de financiá-los.
Nelson Barbosa disse estar comprometido com a meta de melhorar a eficiência dos gastos públicos, com a modernização da gestão do governo, a desburocratização e a melhoria da qualidade dos serviços que o Estado presta. Também sublinhou que o governo prosseguirá com os regimes de concessão (ou privatização, no vocabulário corrente) e das Parcerias Público-Privado.
Quanto a Tombini, ele insistiu para o fato de sua nova gestão no Banco Central ter entre as prioridades a aproximação da inflação ao centro da meta, que é de 4,5%.

