Lula escolhe Teresa Leitão como líder do governo no Senado após saída de Jaques Wagner

O ex-líder do governo foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master

Folhapress
25/Jun/2026
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Lula escolhe Teresa Leitão como líder do governo no Senado após saída de Jaques Wagner

O presidente Lula (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado. O cargo havia ficado vago depois da saída de Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso Banco Master.

Quem ocupa o cargo se torna representante do presidente da República junto aos demais senadores. É responsável por fazer acordos em nome do Planalto durante negociações de projetos em votação, por exemplo.

"Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros", anunciou nesta quinta (25) Lula em seu perfil no X, antigo Twitter.

Um dos aliados mais próximos de Lula, Jaques Wagner deixou a liderança do governo na quarta-feira (24) depois de uma conversa com o presidente. Ele resistia à hipótese de se afastar. Lula queria que o aliado deixasse o cargo para evitar que sua campanha de reeleição como presidente fosse contaminada pelo escândalo do Banco Master.

Aliados de Lula especulavam que o presidente poderia indicar o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) para o cargo. O motivo seria a relação de proximidade que os dois criaram ao longo do atual governo. Camilo, porém, está escalado pelo petista para impulsionar sua aliança no Ceará.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) também teve o nome citado nos bastidores. Aliado tanto de Lula quanto de Wagner, Otto é um dos senadores mais respeitados pelos colegas. Ele, porém, já ocupa um posto relevante no Legislativo, o de presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a principal do Senado.

O chefe do governo sinalizou a aliados na noite de terça-feira (23) que poderia escolher Teresa Leitão para o posto. Na quarta, teve a conversa definitiva com Wagner. Na manhã desta quinta, falou com a senadora por telefone antes de anunciá-la como nova líder do governo.

A senadora, de 74 anos, foi eleita em 2022. Seu mandato vai até 2031, o que significa que ela não precisará disputar a eleição deste ano.

A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA). Lima foi sócio de Daniel Vorcaro, antigo dono do Master e pivô do escândalo financeiro.

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão de Mendonça que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso Nacional e afirmou que há "erros graves" na medida.

 

IMAGEM: Waldemir Barreto/Agência Senado

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