Meirelles diz que recessão é a maior em mais de 100 anos
O ministro da Fazenda não descarta a possibilidade de elevar a carga tributária para recompor a arrecadação, com o objetivo de cumprir a meta fiscal

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, 3/08, que o País enfrenta a pior recessão desde que o PIB começou a ser medido, em 1901. Segundo ele, ao assumir o Ministério, a primeira medida tomada foi "declarar a realidade tal como ela é", para que então o governo interino pudesse enfrentar os problemas de ordem fiscal e da atividade econômica no País.
"A realidade objetiva é que o Brasil tem uma dívida bruta pública muito elevada para o nosso nível atual de desenvolvimento. Essa é uma realidade que fizemos questão de declarar, a realidade tal como ela é", disse Meirelles em seminário organizado pelo Bradesco, no Rio.
"Para se enfrentar um problema é muito importante que o problema seja reconhecido, explicitado e a partir daí possa ser enfrentado. Esse é o ponto fundamental", completou.
Meirelles indicou que o reconhecimento do problema fiscal brasileiro passou pela declaração da "situação real das contas públicas", com o reconhecimento da meta de déficit primário da ordem de R$ 170,5 bilhões.
"É um número de fato muito elevado, mas é real. É realista e o mais importante é que no próximo ano teremos uma previsão e uma meta de 130 bilhões", completou.
Segundo ele, a situação fiscal deriva de uma queda gradual da receita tributária, da arrecadação em função da crise na atividade econômica do País e da falta de confiança com a solvência do País.
"É como um problema de saúde. A primeira coisa é fazer o diagnóstico correto. A primeira medida é reconhecer a realidade. A boa notícia é que já começamos a funcionar", afirmou.
CONFIANÇA
O ministro da Fazenda disse que já é possível ver resultados das medidas tomadas pela atual equipe econômica, nomeada pelo governo interino do presidente Michel Temer. Meirelles citou a melhora em índices de confiança, que começam a mostrar recuperação, embora ainda permaneçam em níveis distantes do pico histórico.
A retomada da confiança pode ajudar a recuperar o crescimento e a arrecadação tributária, acredita o ministro. "Prevê-se certa recuperação da curva de arrecadação tributária", disse Meirelles.
AUMENTO DE TRIBUTOS
Caso a recuperação da arrecadação não ocorra, a solução seria o aumento de tributos, "que não é ideal", reconheceu o ministro. "O que não vamos ceder é em cumprir a meta", declarou.
O ministro disse que uma decisão da equipe econômica sobre eventual aumento de tributos para 2017 será tomada dentro do prazo legal, ou seja, no envio do Orçamento da União para o próximo ano para o Congresso, que deve ser feito até o fim deste mês.
Em palestra no Rio, Meirelles voltou a dizer que a alta de impostos é a última opção do governo do presidente em exercício, Michel Temer, após o corte de gastos e a busca de receita com privatizações, mas demonstrou confiança que ela não seja adotada.
Questionado após a palestra sobre de onde vinha essa confiança, Meirelles respondeu que "o mais importante é a recuperação da atividade econômica".
O ministro citou a evolução da produção industrial, que subiu 1,1% em junho ante maio, como anunciado quinta-feira passada. A recuperação da atividade permite projetar uma recuperação na arrecadação com tributos.
Segundo Meirelles, a arrecadação diminuiu cerca de 3 pontos porcentuais como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos e "basta parar de cair" para a situação melhorar.
O ministro também destacou que as projeções para o comportamento da atividade econômica estão melhorando, saindo de uma retração de 3,5% este ano para uma queda mais perto de 3%.
"Existe uma tendência, sim, de melhora nas expectativas e a recuperação da produção industrial é uma demonstração muito clara", disse Meirelles.
IMAGEM: Agência Brasil

