Montadoras permanecem com encalhe elevado de estoque

A queda de produção atinge o menor nível desde 2004. Mesmo assim, considerando o ritmo registrado em junho, o estoque é suficiente para 39 dias de venda

Estadão Conteúdo
06/Jul/2016
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Montadoras permanecem com encalhe elevado de estoque

As montadoras instaladas no Brasil terminaram o primeiro semestre com o menor nível de produção para o período desde 2004. De janeiro a junho deste ano, 1.016.680 veículos saíram das fábricas, queda de 21,2% em relação a igual intervalo de 2015, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

Para Antonio Megale,  presidente da entidade, os dados de venda de veículos em junho confirmam uma tendência de estabilização observada nos meses anteriores. "O mercado parece ter encontrado o seu piso", defendeu o executivo.

LIGEIRA MELHORA 

Só em junho, 182.626 unidades foram produzidas, baixa de 3% em relação a junho do ano passado, mas alta de 4,2% na comparação com maio.

Por segmento, os automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 175.232 unidades em junho, retração de 3,2% em relação a igual mês do ano passado, mas crescimento de 4% ante o volume observado em maio. No primeiro semestre, a queda acumulada é de 20,9%, para 976.142 unidades.

Entre os pesados, foram 5.570 caminhões produzidos em junho, alta de 5,4% ante junho do ano passado e expansão de 4,5% sobre o volume de maio. O segmento acumula queda de 24,8% no primeiro semestre, para 31.299 unidades.

No caso dos ônibus, as montadoras produziram 1.824 unidades em junho, crescimento de 1,4% sobre o resultado de igual mês do ano passado e avanço de 22,3% em relação a maio. Nos primeiros seis meses do ano, acumulam baixa de 33,4%, para 9.239 unidades.

MÃO DE OBRA A MENOS

O excedente de mão de obra permanece entre as montadoras instaladas no Brasil, segundo o executivo da Anfavea, mesmo com demissões registradas desde o ano passado.
 
Com o corte na produção, as demissões continuam nas montadoras. Só em junho, 244 vagas de emprego foram eliminadas. Considerando os últimos 12 meses, são 9.163 mil vagas a menos. Com isso, a indústria conta hoje com 127.742 funcionários, recuo de 6,7% em relação ao nível de junho do ano passado.

DESEMPENHO DE VENDAS

A venda de veículos novos no Brasil alcançou 171.797 unidades em junho, recuo de 19,2% em comparação com igual mês do ano passado, mas alta de 2,6% sobre o resultado de maio, diz Anfavea. No primeiro semestre, a queda é de 25,4% em relação a igual período do ano anterior, para 983.536 unidades.

Por segmento, os automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 166.615 vendas em junho, retração de 18,7% em relação a junho de 2015, porém expansão de 2,6% ante o volume do mês anterior. Com isso, as vendas acumulam, nos seis primeiros meses do ano, recuo de 25,1% sobre igual intervalo do ano passado, para 952.264 unidades.

Entre os pesados, foram 4.200 caminhões vendidos em junho, baixa de 32% ante junho do ano passado, mas alta de 3% sobre o resultado de maio. Na primeira metade do ano, o segmento acumula retração de 31,4%, para 25.589 unidades.

No caso dos ônibus, as marcas venderam 982 unidades em junho, queda de 32% sobre o resultado de igual mês do ano passado e recuo de 7,8% em relação a maio. A queda no acumulado do ano é de 41,2%, para 5.683 unidades.

Com a baixa demanda, os estoques continuam elevados. Os pátios das montadoras e das concessionárias terminaram o mês de junho com 225,6 mil veículos à espera de um comprador. 

O estoque é suficiente para 39 dias de venda, considerando o ritmo das vendas registrado em junho. Em maio, o número de veículos encalhados, 235 mil, era suficiente para 41 dias de vendas, também considerando o ritmo de junho. Segundo a Anfavea, o ideal é que os estoques sustentem cerca de 30 dias de vendas.

EXPORTAÇÃO

As exportações em valores de veículos e máquinas agrícolas somaram US$ 885,894 milhões em junho, queda de 11,9% na comparação com junho do ano passado e baixa de 5,5% ante maio. No primeiro semestre, houve baixa de 12,5% sobre igual período de 2015, para US$ 4,845 bilhões, aponta Anfavea.

No sexto mês do ano, foram exportadas 43.392 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, o que representa queda de 9,6% na comparação com junho do ano passado e recuo de 7,5% ante maio. 

Na primeira metade do ano, no entanto, houve avanço de 14,2% sobre igual período de 2015, para 226.645 unidades.

PREVISÃO
Com base nestes números, Megale acredita que a previsão da Anfavea para o ano inteiro, de queda de 19%, deverá ser confirmada em dezembro. 

"Depois de estabilizar, normalmente vem um crescimento, e temos visto indicadores melhores de confiança do consumidor e algumas visões bem claras do governo federal no sentido de controlar os gastos", disse o presidente da Anfavea.

FINANCIAMENTO REPRESADO

Apesar dos sinais de melhora, Megale lamentou que a participação dos financiamentos na venda de veículos tenha ficado em 51,2% em junho, o menor nível da série histórica. 

"Significa que ainda há uma dificuldade de obtenção de financiamento, ou por parte do agente financeiro ou por uma decisão do consumidor", afirmou o executivo.

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