Mordendo a língua

O cálculo feito nos partidos projeta uma eleição presidencial em 2018 com a participação de quatro a cinco candidatos

Eymar Mascaro
07/Out/2015
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O PT está medindo a extensão do estrago eleitoral que pode causar a sequência de manifestações de protestos e panelaços contra o governo, contra o partido, contra a presidente Dilma e contra também o ex-presidente Lula, apontado como virtual candidato ao Palácio do Planalto, em 2018.

O partido admite que o prejuízo maior continua sendo o da presidente, devido à crise econômica que pode resultar em demissões de trabalhadores, comprometendo seus candidatos nas próximas eleições.

Os petistas querem evitar que o partido corra o mesmo risco que jogou para baixo o índice de popularidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, constatado  nas pesquisas ao concluir seu segundo mandato, depois de ser exaustivamente acusado de ter deixado para Lula uma "herança maldita" de 10 milhões de desempregados.

Como houve demissões também no governo de Dilma Rousseff, FHC aproveitou para se vingar de Lula, afirmando laconicamente que o  PT "mordeu a língua".

Os petistas estão consultando arquivos de publicações do passado que registraram para a história política do país o que significavam, por exemplo, os panelaços de antigamente.

Curiosamente, o PT acusa que eram panelaços diferentes, produzidos por famílias mais pobres, enquanto os de hoje seriam provocados por famílias das classes sociais mais abastadas que "moram em bairros mais nobres", confessadamente eleitores do PSDB e que,. maldosamente, os petistas chamam de "coxinhas" e "mauricinhos"e "mauricinhas".

Os panelaços que os mais humildes promoviam no passado, segundo jornais da época, representavam a senha que servia para alertar o governo de que estava faltando comida na "panela do pobre".

Hoje, o PT recorre a cenas exibidas na televisão dos panelaços contra a presidente Dilma Rousseff, constatando que os filmes atuais não mostram panelaços ocorridos na periferia. Os promotores das manifestações, contudo, contestam o PT.

As últimas pesquisas Ibope e Datafolha, no entanto, preocuparam o PT, porque o senador Aécio Neves venceria Lula e se elegeria presidente se a eleição fosse hoje.

Para o PT, porém, a vantagem do senador mineiro decorre do recall da campanha de 2014, já que o nome de Aécio ainda está retido na memória dos eleitores. O PT garante que os dois institutos incorrem em um erro grotesco, ao incluir na lista dos presidenciáveis em 2018 apenas os nomes de Lula e Aécio.

Procurando minimar os efeitos dos protestos contra o governo Dilma, o partido lembra que durante uma das últimas concentrações gigantescas ocorridas na Avenida Paulista, o Instituto Datafolha fez uma pesquisa entre os manifestantes, -publicando na primeira página na edição do dia seguinte da Folha- em que 83% dos participantes confirmaram ter votado  no senador Aécio Neves para presidente da República.

O PT acusa que os coordenadores dos movimentos de protestos contra Dilma e Lula, são ligados ao PSDB e que declararam na semana passada que terão candidatos a vereador e a prefeito em todos os estados, nas eleições de 2016.

Deixando de lado o chororô dos petistas, é interessante lembrar também que não são apenas os tucanos -que ainda hoje não se convenceram que perderam a eleição- que reclamam da crise econômica.

Também parcela ponderável da população grita contra a carestia e a alta nos preços de alimentos expostos nos supermercados, denunciando ainda o crescente índice inflacionário.

Durante a campanha, por exemplo, Dilma prometeu uma inflação nunca superior a 6,5% em 2015, mas os economistas estimam que, em dezembro, a inflação feche o ano entre 9% e 10%.

O cálculo feito nos partidos projeta uma eleição presidencial em 2018 com a participação de quatro a cinco candidatos, porque os adversários acham que podem ganhar a presidência da República devido ao momento de fragilidade do PT, vítima da crise econômica.

Além de Lula e Aécio, cujas candidaturas estariam praticamente acertadas em seus partidos, PT e PSDB, a previsão é que o senador José Serra será candidato pelo PMDB, conforme entendimento com Michel Temer, bem como o governador Geraldo Alckmin, que pode ser lançado pelo PSB e a ex-ministra Marina Silva sendo candidata pelo seu partido, o Rede Sustentabilidade, com registro definitivo já assegurado no TSE.

Serra e Alckmin, se forem candidatos por outros partidos, representariam um golpe mortal na votação do candidato tucano em São Paulo.

Os dois, no entanto, só admitem que podem se candidatar pelo PMDB e PSB porque a legenda presidencial do PSDB já teria sido garantida ao senador Aécio Neves, em virtude de sua excepcioanal votação em 2014, alcançando 51 milhões de votos, mesmo sendo derrotado por Dilma Rousseff, que obteve 54 milhões.

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