Neste evento, a metrópole se mobiliza para propor soluções

Depois de ouvir os paulistanos em reuniões prévias, a 14º Conferência P+L e Mudanças Climáticas debaterá, em setembro, propostas concretas para a crise de água e energia

Inês Godinho
16/Jul/2015
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Neste evento, a metrópole se mobiliza para propor soluções

Há 14 anos, por iniciativa do vereador paulistano Gilberto Natalini (PV), as grandes questões socioambientais da metrópole foram tema da 1º Conferência Municipal de Produção Limpa.

O evento ganhou espaço permanente na agenda anual da capital e chega à 14º edição, agora batizada de Conferência P+L e Mudanças Climáticas, com a previsão de saltar de 500 para mais de 3 mil participantes entre lideranças setoriais, ativistas, políticos e empreendedores preocupados com as questões socioambientais.

Entre os apoiadores de primeira hora, está a Associação Comercial de São Paulo. 

Quando a conferência se realizou pela primeira vez, em 2002, o Brasil vivia um clima de incerteza provocado pela posse do presidente Luiz Inácio da Silva, e o país assistiu o repique da inflação e o dólar disparar para R$ 4.

Naquele ano, o país foi campeão mundial de futebol e a Guerra do Iraque estava para começar. Sustentabilidade, meio ambiente e produção limpa não faziam parte dos temas frequentes na mídia.

Durante estes anos, a conferência se destacou como uma arena capaz de captar as demandas que preocupavam a sociedade naquele momento e de apresentá-las de forma organizada para os agentes que detêm poder para resolvê-las. Muitas leis, decretos e programas governamentais no campo socioambiental tiveram sua semente plantada na conferência municipal.  

O evento ocorre em apenas um dia, mas tem um processo de preparação e debate para que os assuntos cheguem amadurecidos à mesa de conferência. Serão 18 reuniões prévias.

“A cada ano, a agenda da conferência pauta os temas politicos do parlamento municipal”, destaca o vereador Natalini, que se manteve à frente da organização nestes 14 anos.

“O evento tem o papel de abrir os debates sobre sustentabiliade em São Paulo e se tornou respeitado no país todo.” Neste ano, como não poderia deixar de ser, será dedicado à crise de água e energia.

AS IDEIAS CHEGAM ÀS RUAS
O primeiro encontro foi sobre água e uma das ideias defendidas  se tornou lei -a medida determinou a utilização da água de reúso para lavagem e irrigação de espaços públicos.

A intenção de influenciar as decisões públicas permanece como um objetivo da conferência. “As propostas dos encontros motivaram a Prefeitura a criar a Lei Municipal de Mudanças Climáticas”, explica o vereador.

Com a legislação, São Paulo assumiu diversos compromissos ambientais, como a meta de redução de emissões de gás carbônico e de redução progressiva de uso de combustíveis fósseis no transporte público. 

Outras propostas apresentadas nos eventos que se transformaram em lei, de acordo com Natalini, foram a de inclusão de alimentos orgânicos na merenda escolar do sistema municipal de educação, de uso de entulho na subbase de recapeamento de ruas e o aproveitamento de madeira de poda de árvore. 

Também originados nos debates da conferência, há projetos de lei em andamento na Câmara Municipal ou à espera de ser sancionado pelo prefeito. Entre outros, são iniciativas relacionadas à utilização racional da água e ao uso de energia solar na iluminação pública de São Paulo.

APOIOS ESSENCIAIS
Desde as primeiras edições, a conferência procurou conciliar os aspectos teóricos, aprofundados por especialistas renomados, com uma abordagem prática dos temas de meio ambiente e sustentabilidade.

“De lá, sai o encaminhamento de propostas práticas para novas leis, políticas públicas e programas governamentais que melhorem a sustentabilidade da cidade de São Paulo.”

O debate técnico é enriquecido por meio de parcerias com 19 universidades, que apoiam os encontros prévios com setores da sociedade. 

Uma característica do evento que se mantém desde o início é a realização em parceria. “São mais de 300 parceiros participando da organização”, explica o vereador. “Cada um ajuda em algum aspecto – na mobilização, na divulgação e na doação de materiais e serviços.”

Programada para o dia 22 de setembro, a 14º Conferência será aberta por palestra da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. A agenda prevê duas mesas de debates: 
- Água: os desafios e aprendizados para preservação deste recurso natural   
 - Energia: fontes renováveis e a matriz energética brasileira

Para conhecer a agenda de reuniões preparatórias ou se inscrever, sem custos, para a conferência, acesse aqui.

14º Conferência P+L e Mudanças Climáticas
Local: Sede da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD)
Rua Voluntários da Pátria, 547 – Santana, São Paulo/ SP

 

*FOTO: Thinkstock

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