Nos corredores de Brasília | Tarifaço ao Brasil vira meme iraniano e dor de cabeça para o governo

Redação DC - Brasília
03/Jun/2026
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Nos corredores de Brasília | Tarifaço ao Brasil vira meme iraniano e dor de cabeça para o governo

Tarifa americana

Em meio ao calendário eleitoral, o governo federal voltou a reagir em tom político à aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Fontes avaliam que a resposta soou mais oportunista do que estratégica, sem apresentar uma rota clara de negociação, defesa comercial e proteção efetiva aos setores produtivos afetados.

Olhar chinês

Pequim está monitorando qualquer ruído comercial entre Brasil e EUA. A leitura é pragmática: enquanto Washington eleva o custo político e econômico da relação comercial, a China tende a se apresentar como parceira estável, previsível e disposta a ampliar compras e investimentos.

Meme iraniano

A Embaixada do Irã na Tunísia publicou no X um vídeo feito com inteligência artificial em que o Cristo Redentor enfrenta e derrota a Estátua da Liberdade. A cena mostra os dois monumentos “lutando” no Rio de Janeiro. Teerã tenta transformar uma disputa comercial em narrativa antiamericana global. Em Brasília, já se fala no risco do Brasil ser arrastado simbolicamente para uma guerra de propaganda que não controla ao ser vendido como parte de uma frente de resistência ao poder americano.

Conta eleitoral

A piora dos ativos brasileiros expõe uma combinação delicada para o governo em ano eleitoral. O dólar subiu a R$ 5,06, maior nível desde maio, enquanto o Ibovespa recuou para a faixa dos 170 mil pontos, menor patamar desde janeiro, pressionado pela tensão entre Estados Unidos e Irã.

Ambiente fiscal sensível

O orçamento do governo federal de 2026 soma R$ 6,5 trilhões em despesas, prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, Fundo Eleitoral de R$ 5 bilhões e expansão potencial de até R$ 168 bilhões nas despesas federais. A leitura é de que o mercado passou a cobrar uma conta dupla: risco externo crescente e dúvida interna sobre a capacidade do governo de conter gastos em ano de eleição.

Ofensiva nas redes

A chegada da PEC 12/2026, apresentada como complemento do debate sobre o fim da escala 6x1 ao Senado, abriu uma nova frente de desgaste político para a oposição. A proposta de Rogério Marinho, apresentada como alternativa ao fim da escala 6x1, reuniu 40 assinaturas de senadores e passou a ser alvo de uma ofensiva digital conduzida por parlamentares governistas, influenciadores alinhados à esquerda e perfis ligados à mobilização.

Relação deteriorada

O terceiro mandato de Lula consolidou uma relação política mais precária com o Congresso Nacional. No Senado, o governo convive com base instável, baixa fidelidade em votações sensíveis e dependência crescente de cargos e emendas para formar maioria. Agora, com a pauta da escala 6x1, utiliza a pressão das redes sociais para avançar em pautas que tragam alento nas pesquisas eleitorais, focando na reeleição.

Endividamento do agro

Representantes do sistema financeiro foram ouvidos novamente pelo setor produtivo na tentativa de alinhamento sobre o relatório do PL 5122/23, principal frente de pressão do setor produtivo sobre o governo federal. A proposta busca criar uma linha especial para produtores afetados por perdas de safra com juros abaixo da Selic. A Fazenda já deixou claro que não quer emprestar dinheiro mais barato, já os produtores, não aceitam os juros altos praticados por temerem um ciclo permanente de dívidas.

 

IMAGEM: reprodução

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