Nossa Posição| ACSP - O Brasil tem pressa
Com a piora do cenário político e econômico na última semana, a Frente Sudeste de Associações Comerciais clama por urgência maior na solução das crises que paralisam as empresas do país
Na última semana, uma sequência de notícias ruins piorou o que se já se considerava drástico: o cenário político e econômico brasileiro.
Do exterior, veio a perda do grau de investimento do Brasil pela segunda agência de classificação de risco, a Fitch, que colocou o país na categoria "junk".
Depois, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) decidiu aumentar a taxa de juros dos Estados Unidos e sinalizou que esse movimento será gradual e contínuo, atraindo os grandes investidores para lá. Não se sabe se o movimento de aumento de juros será seguido pelo Banco Central brasileiro, que ainda não conseguiu colocar nos trilhos a inflação oficial - cuja prévia do ano aponta para 10,71%.
Internamente, a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (18/12) eleva as dúvidas em relação à execução do ajuste fiscal, tão necessário para o reequilíbrio da economia.
O processo de impeachment, que poderia levar ao desfecho da crise política - não importando qual fosse o seu resultado - retrocedeu com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desta maneira, alongou a disputa entre governo e oposição que, ao longo de 2015, já prejudicou a economia. Some-se a isso o recesso do Congresso, que empurra mais incertezas para 2016.
Diante desse cenário, a Frente Sudeste de Associações Comerciais reforça o manifesto divulgado na terça-feira (15/12), no qual apela aos políticos, congressistas e governantes, para que encontrem uma solução rápida e efetiva para as crises econômica e política. E com uma urgência ainda maior. O Brasil não pode mais esperar.
O grupo é constituído pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio) e Associação Comercial e Empresarial do Espírito Santo (ACE-ES) - e pelas respectivas federações.
O Brasil tem pressa. É preciso urgência para fazer o país caminhar na busca da solução de seus problemas políticos, econômicos, éticos e, principalmente, sociais. Se o tempo para políticos e governantes não é importante, podendo ajustar-se às conveniências de interesses pessoais ou de grupos, o mesmo não acontece para o restante do país.
O tempo é muito importante para: uma economia que piora rapidamente, com a inflação subindo, a produção caindo e as expectativas dos agentes econômicos e dos consumidores se deteriorando; os empresários que não vislumbram como vão enfrentar seus compromissos não apenas com o fisco insaciável, como, principalmente, com seus colaboradores; para as famílias que enfrentam a diluição de seu poder decompra e, para muitas delas, a luta pela sobrevivência, cada vez mais difícil; os trabalhadores que estão desempregados e para aqueles que temem a cada dia a manutenção de seu emprego; para uma sociedade que espera angustiada uma saída para a crise política que seja definitiva e recoloque o país da trilha do crescimento.
Por isso, cobramos pressa do Congresso na solução da crise política, resguardado o direito de defesa das partes envolvidas, mas sem estratégias que visam a postergar as decisões.
A FRENTE SUDESTE DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS - constituída pela ACSP, ACMINAS, ACRIO e ACES e pelas respectivas federações, que representam mais de 1.000 associações de seus estados, deseja apelar aos políticos, congressistas e governantes. Busquem uma solução urgente para a crise.
Trabalhem em conjunto para a adoção de medidas que possam restabelecer as condições para o funcionamento da economia no curto prazo, como parte de um programa de ajuste estrutural das finanças públicas que vise a busca do equilíbrio com base no corte de gastos e de reformas institucionais necessárias.
Nesse sentido, convidamos todas as entidades de classe empresariais a se engajarem em um movimento para propor soluções e exigir decisões da classe política, não apenas para superar a crise do momento, mas efetivar a inadiável reforma política que possa evitar a repetição de episódios de instabilidade institucional, paralisia administrativa e incerteza econômica.
Embora as instituições estejam funcionando porque todos os problemas vêm sendo tratados com base nas regras constitucionais e legais, o sistema político vigente, com uma 3 multiplicidade de partidos, grande parte sem base doutrinária e sem fidelidade, não assegura a governabilidade e a estabilidade política.
O tempo dos políticos tem que estar sintonizado com o tempo dos brasileiros.
Paulo Manoel Protasio, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo.
Lindolfo Paoliello, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas.
Luiz Carlos Ridolphi, presidente da Associação Comercial e Empresarial do Espírito Santo.
Jesus Sebastião Mendes Costa, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Rio de Janeiro
Emílio César Ribeiro Parolini, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais.
Amarildo Selva Lovato, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Espírito Santo.

