Novo Parque Dom Pedro II terá galeria para comerciantes
Ativações comerciais têm como objetivo potencializar o turismo, conectando pontos de interesse da região, como o Mercado Municipal, o Museu Catavento, a rua 25 de Março e o futuro Sesc

Um projeto de parceria público-privada (PPP) prevê melhorias para o Terminal Parque Dom Pedro II, na região central de São Paulo. Em uma área de 337 mil metros quadrados que engloba os terminais de ônibus e metrô, praças, a avenida dos Estados e outras vias de grande circulação de veículos estão previstas cerca de 25 intervenções.
Serão R$ 745 milhões em investimentos. Quase metade desse valor será pago pelo município e o restante pela empresa que irá administrar o parque e será responsável por todas as obras e melhorias que devem acontecer nos próximos cinco anos, além de operar a concessão do parque por 30 anos.
Caberá à concessionária administrar uma nova galeria comercial com 5 mil metros de área bruta locável, que será construída no Novo Parque Dom Pedro. Haverá também espaço para o comércio nas chamadas fachadas ativas, quando o térreo dos edifícios é usado como espaço para lojas, restaurantes, serviços e comércio em geral. Outro ponto de comércio se dará pela construção de um supermercado em uma área de dois mil metros quadrados.
O que também deve mudar é a Praça Doutor Fernando Costa, atrás do Terminal, que será reformada, ganhará plantio de novas árvores e terá os boxes dos permissionários reorganizados. De acordo com Paulo Galli, diretor-presidente da SP Parcerias, o plano não é fechado e pode ser alterado. Para os comerciantes que já estão na região, Galli afirma que não haverá desapropriação.
"Vamos fazer equipamentos que garantirão qualidade e frequência e com certeza isso irá valorizar o comércio que já está na região", disse durante reunião do Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
REORGANIZAÇÃO
A partir dessa requalificação, espera-se que as mais de 113 mil pessoas que circulam por lá diariamente tenham maior conforto para acessar o Terminal, que passará a oferecer cinco modais de transporte - metrô, ônibus, Expresso Tiradentes e futuros BRT e VLT -, tornando-se um elo entre dois centros comerciais importantes da capital, o Brás e a região da 25 de março.
Hoje, além de um viaduto que faz essa conexão para os veículos, há também um corredor, ligado ao Museu Catavento Cultural, por onde passam pedestres. O acesso, no entanto, é considerado pouco seguro e fica subutilizado, por isso deve ser transformado em uma espécie de boulevard, com policiamento reforçado 24 horas.
O lugar, que tem 43 mil metros quadrados de área verde, passará a ter mais de 100 mil metros quadrados arborizados. As novas áreas verdes estão associadas às soluções de macrodrenagem, que devem tornar a região mais preparada para as mudanças climáticas.
Para reorganizar o viário da região está previsto o alargamento da Avenida do Exterior, a implantação de uma nova ponte do Carmo em substituição aos Viadutos Antônio Nakashima e 25 de Março, além de conexão com o futuro BRT da Radial Leste. São previstas calçadas largas, ciclovias, faixas azuis para motociclistas, faixas exclusivas de ônibus, além de compatibilização com o futuro VLT.
A proposta, segundo Galli, é criar, por meio do novo terminal, uma ativação em toda a região, potencializando o turismo, conectando diversos pontos de interesse da região, como o Mercado Municipal, o Museu Catavento, a rua 25 de Março e o futuro Sesc.
Além da requalificação de praças, haverá também a implantação de quiosques, quadras esportivas, pistas de skate, uma praça de eventos e instalação de novo mobiliário urbano. Com o edital para licitações no ar, as empresas têm até 21 de janeiro de 2025 para apresentar propostas que atendam o projeto.
HISTÓRICO DO PARQUE DOM PEDRO
Até a inauguração do Parque Ibirapuera, em 1954, o Parque Dom Pedro sustentava o título de maior da capital. Sua região era conhecida como a Várzea do Carmo e por estar periodicamente alagada pelas águas do tortuoso Rio Piratininga, que depois teve seu nome mudado para Rio Tamanduateí, era considerada como uma limitação para o crescimento da cidade para o Leste. Até que, no início do século XIX, o engenheiro Florêncio Moreira elaborou um projeto para sua retificação.
O lugar era disputado pelas lavadeiras e conhecido por ser o melhor ponto para lavar as roupas, até que suas áreas começaram a ser aterradas. Foram muitas intervenções urbanísticas até que, já no século XX, com a cidade sob administração do prefeito Raymundo da Silva Duprat, o arquiteto francês Joseph-Antoine Bouvard sugeriu a criação de dois grandes parques, um no Vale do Anhangabaú e outro na Várzea do Carmo.
O plano foi desenvolvido e executado por outro arquiteto francês, desta vez o franco-suíço Francisque Couchet, e em 1921 foram concluídas as obras de canalização do rio, organizadas suas adjacências e, em 1922, por ocasião do centenário da independência, o futuro parque foi denominado como “D. Pedro II”. Finalmente, o parque foi concluído em 1925.

