O Brasil não pode parar
Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia. Algumas boas ideias circulam, mas não prosperam
A área econômica do governo, estando à frente o ministro Joaquim Levy, sabe o que fazer sob o ponto de vista técnico no enfrentamento dessa crise grave e de muito difícil saída em curto ou médio prazo.
Este ano está perdido e o próximo também. Mas o governo, a começar pelo ministro Levy, precisa saber selecionar prioridades para que o descrédito do Brasil, interno e externo, não seja agravado.
As medidas devem ser iniciadas pelo Rio de Janeiro, onde a pauta de investimentos é grande e de repercussão internacional. Não pode faltar liberações ligadas às Olimpíadas de forma alguma.
E mais: dois projetos se impõem como prioritários, o COMPERJ e as obras na Washington Luís, duplicando a subida da serra. Esta vem diminuindo seu ritmo e o BNDES precisa liberar R$ 400 milhões até o final do ano. Afinal, é a ligação do Rio com Belo Horizonte e Brasília, parte do Nordeste.
Alguns deputados do Rio, como Hugo Leal e Júlio Lopes, votados na região, já atuam em Brasília, cobrando o cumprimento do tratado. A concessionária, CONCER, não parece muito interessada, uma vez que o atraso nas liberações, por cláusula contratual, prorroga automaticamente sua permanência no trecho, cuja subida está cheia de remendos incompatíveis com o pedágio cobrado.
Outra providência elementar seria a liberação das verbas do Ministério das Relações Exteriores para pagamento de compromissos internacionais, desde contas das embaixadas e consulados, ao pessoal local, e aos próprios organismos internacionais.
O Brasil deve a entidades como ONU, FAO, CPLP e outros. Um vexame para um país que arranja dinheiro para financiar Cuba e Venezuela, cujo retorno é questionável.
Está faltando um pacote de coragem e audácia para destravar a economia. Algumas boas ideias circulam, mas não prosperam. Prorrogar as concessões das usinas elétricas por cinco anos depende apenas de papel e caneta.
Acabar com o imposto sobre ganhos de capital no mercado acionário poderia abrir novos canais de financiamento para nossas empresas de capital aberto, assim como diminuir o percentual sobre dividendos, por muitos considerado bitributação.
Para facilitar o investimento gerador de emprego, inibido por decisões do judiciário de assustar qualquer poupador, bastaria alterar poucas coisas nas leis trabalhistas. Aliás neste sentido se pronunciou em entrevista à Folha de S.Paulo o banqueiro Roberto Setúbal.

