O real está mais barato, revela índice Big Mac
Em moeda local, o preço do tradicional sanduíche no Brasil equivale a US$ 4,28, menor do que nos Estados Unidos, onde custa US$ 4,79

O real, uma das moedas emergentes com pior desempenho nos últimos meses, já estaria barato. Pelo menos é o que mostra o popular índice Big Mac, calculado pela revista britânica The Economist, que indica a moeda brasileira com uma subvalorização de 10,6%.
O preço do tradicional sanduíche no Brasil é de R$ 13,50 - o que equivale a US$ 4,28. A taxa de câmbio de mercado usada no cálculo é de R$ 3,15 para um dólar, segundo dados da revista coletados até 15 de julho. Entretanto, o índice Big Mac indica que a taxa de câmbio deveria ser de R$ 2,82.
Este índice é baseado na ideia da paridade (igualdade) do poder de compra, que diz que as taxas de câmbio deveriam se mover em direção a um nível que torne igual o preço de uma cesta de produtos em diferentes países.
Neste caso, se o custo local de um sanduíche é superior ao preço nos Estados Unidos, que é de US$ 4,79, a moeda está sobrevalorizada, ou cara. Se o preço local é inferior a esse nível, a moeda está subvalorizada, ou barata.
A Economist lembra que, para moedas emergentes como o real, estar subvalorizado no índice Big Mac não é necessariamente sinal de que a taxa de câmbio deve subir em breve.
Isso porque o custo do hambúrguer depende parcialmente de itens não comercializáveis, como aluguéis e salários, que tendem a ser menores em países mais pobres.
Em janeiro deste ano, o real estava sobrevalorizado em 8,7%, de acordo com essa mesma pesquisa.
Com os novos dados, é a primeira vez desde janeiro de 2007 que o real aparece subvalorizado. Naquela época, o índice apontava queda de 6,8% para a moeda brasileira ante o dólar. O nível atual é o pior desde janeiro de 2006 (-13,0%).
A revista aponta que as moedas de países exportadores de commodities são as que mais têm sofrido nos últimos meses, afetadas pela desaceleração da China.
"O Brasil é um grande exportador de commodities e o real parece sobrevalorizado em relação a seus pares, mas as altas taxas de juros no país tornam mais caro para os especuladores venderem a descoberto e são um atrativo para investidores em busca de retornos maiores", diz a Economist.
Das 43 moedas acompanhadas pela revista, a mais frágil é o bolívar venezuelano, com uma subvalorização de 86,0%.
Apenas quatro estão sobrevalorizadas em relação ao dólar: o franco suíço (+42,4%), a coroa norueguesa (+17,9%), a coroa sueca (+7,0%) e a coroa dinamarquesa (+6,0%).
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