Pacote de bondades do governo é bem recebido por empresários
Avaliação é que propostas complementam outras reformas como o teto dos gastos, previdenciária e trabalhista

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) considerou que o pacote de medidas microeconômicas anunciado na quinta-feira (15/12) pelo governo federal é positivo, porém avaliou que as iniciativas ainda são tímidas.
"A equipe econômica apenas avançou sobre pontos que eram basicamente unanimidade", diz a entidade em nota.
Para a FecomercioSP, essas medidas são em geral demandas muito antigas, diagnosticadas por empresários, investidores estrangeiros e até mesmo contidas em estudos internacionais como o "Doing Business", do Banco Mundial.
A entidade elogiou, no entanto, o que considerou ser uma coerência das propostas, que "complementam as reformas macros como o teto dos gastos, futuras reformas previdenciária e trabalhista, entre outras, pleiteadas pelo governo".
A FecomercioSP destacou as medidas que visam facilitar o acesso ao crédito às micro, pequenas e médias empresas como algo que tende a beneficiar o varejo. "Irão simplificar e agilizar a contratação de crédito para o segmento, ampliando o montante de recursos ofertados", concluiu.
Para o Instituto Aço Brasil (IABr), as medidas trazem alívio para as empresas, mas o que as companhias precisam, de fato, é da retomada da economia, segundo o presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes.
Sem um mercado interno pujante, a única saída neste momento para as companhias é a exportação, diz.
Dessa forma o setor tem defendido o retorno da alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) para 3%.
"O pacote vai na direção correta, que é buscar alívio para as empresas. Mas as companhias irão produzir para quem?", questiona.
Segundo ele, o problema de fundo segue a baixa atividade econômica brasileira. "As medida para a retomada do crescimento vão levar tempo, como o andamento do Programa de Parcerias para Investimentos (PPI)", afirma.
Ainda de acordo com Mello Lopes, a queda de juros é algo imprescindível, mas seu efeito benéfico para a economia levará um período para maturar.
"A grande prioridade é a retomada do crescimento. Voltamos a bater na tecla de que neste momento a única saída para a indústria da transformação é a exportação", diz.
A alíquota do reintegra caiu de 3% em 2014 para 1%, no ano passado, e agora está em 0,1%.
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