Paes reitera que Olimpíadas deixarão legado para o Rio
Durante reunião na ACSP, prefeito divulgou que orçamento olímpico é de R$ 38,67 bilhões, dos quais 57% foram investimentos privados. Ele diz que, deste total, R$ 24,6 bilhões serão de obras de legado

Com 85% das obras olímpicas de 2016 concluídas na cidade do Rio de Janeiro, os preparativos para o evento já somam um investimento da ordem de R$ 38,7 bilhões - 64% de recursos privados, e 36% públicos.
As parcerias público-privadas, que representam a maior fatia do montante, são apontadas por Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio de Janeiro, como a melhor fórmula para transformar o maior evento esportivo do mundo num sucesso, e com legado positivo para o país.
O prefeito afirmou durante palestra na ACSP (Associação Comercial de São Paulo), que o modelo adotado se diferencia da Copa do Mundo de 2014, que, para ele, foi um evento mal sucedido. “A Copa do Mundo não agregou. Continuamos com a fama de que fazemos tudo sem planejamento, e com supervalorização de obras”, diz.
“Vejo as Olimpíadas como uma oportunidade de transformação, em que a atividade esportiva é protagonista, mas não a faceta mais importante. O foco são as estratégias geopolíticas.” Segundo o prefeito, havia previsão para executar 17 projetos legado. No entanto, a prefeitura entregará 27 projetos.
TRÊS MANDAMENTOS
De acordo com o prefeito, para cada um real gasto com a área esportiva, cinco estão sendo gastos para patrimônio. Esse investimento deixará um legado olímpico de R$ 24,6 bilhões, por exemplo, transporte e infraestrutura, com estádios que serão transformados em escolas.
Esse é um dos três mandamentos para o Rio 2016, conforme a apresentação do prefeito, que diz trabalhar com três objetivos: ser os jogos do legado, os jogos da economia de dinheiro público e os jogos das obras no prazo, "sem elefante branco".
Sobre o investimento feito nas arenas, de R$ 6,67 bilhões, o prefeito explica que contou com 64% de participação privada, o que corresponde a R$ 4,23 bilhões. "Essas obras não seriam feitas se não fosse pelas olimpíadas. Esse é um ativo que precisamos mostrar. Que temos o prazo do setor privado, setor no qual apostamos para fazer essas obras", diz.” Conseguimos viabilizar liberando ganho para o poder privado com o poder público dando seus limites".
ENTUSIAMO PARA OS NEGÓCIOS
Para Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp, ter a participação do setor privado em um evento desse porte trás um novo fôlego aos empresários em tempos de crise.
“A confiança do prefeito no privado é muito importante para mudar as perspectivas do país. Precisamos de entusiasmo e crença nos negócios para prospectar um futuro melhor”, diz.
“Num momento em que o Brasil vive uma crise tripla – política, econômica e ética, o prefeito nos mostra uma administração que nos dá a esperança de mudar os rumos das crises”, afirmou o ex-senador Jorge Bornhausen, coordenador do Cops (Conselho Político e Social) da ACSP.
PRAZO
Paes também disse que uma das maiores preocupações em sediar o evento era em relação ao prazo de entrega, que ele afirma estar dentro do previsto.
"O teste de vela não deu problema, assim como a maratona aquática”, diz. "Tivemos quase um mês de eventos-teste utilizando a água do mar e da Bacia de Guanabara e as coisas aconteceram de forma muito adequada. Mas o desafio de saneamento no Rio continua."
Paes diz que o fato de não ter tanto dinheiro da União envolvido é um dos principais fatores para que as olimpíadas do Rio estejam sem atrasos. “É uma oportunidade de o Brasil mostrar que podemos fazer as coisas, que temos engenharia e setor privado capaz de entregar as coisas no prazo". A participação do governo federal corresponde a 10,3% do total do investimento público. Governo estadual tem 32% de participação, e o municipal 57,7%.
*Foto: Divulgação


