Para Moan, renovação da frota aumentaria arrecadação
O presidente da Anfavea (foto) apresentou ao governo uma proposta que consiste em dar uma carta de crédito para que os consumidores possam trocar veículos com mais de 20 anos de uso por novos

O tão esperado programa de renovação de frota veicular apresentado pelo setor automotivo ao governo teria impacto positivo na arrecadação, de acordo com Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). “O programa tem potencial para incrementar as vendas de veículos, o que geraria uma arrecadação incremental”, afirma.
Esse efeito positivo aos cofres do governo, no entanto, não teria sido usado como pressão para obtenção de subsídios que financiem o programa, garantiu o presidente da Anfavea. “O programa é pró-ajuste fiscal. Entendemos o momento difícil da economia e não queremos prejudicá-la”.
Nos últimos dias, informações contraditórias divulgadas pelos meios de comunicação mostravam Moan condicionando o programa a recursos do governo e, na outra ponta, o ministro Nelson Barbosa, da Fazenda, dizendo que não haveria espaço para subsídios ou equalizações.
O presidente da Anfavea garante que foi mal interpretado. “Ainda não discutimos com o governo o funding (financiamento)”, diz.
A proposta apresentada pela Anfavea, juntamente com outras 18 entidades do setor automotivo, é que veículos com mais de 20 anos de circulação possam ser trocados por uma carta de crédito, que seria uma espécie de garantia a ser oferecida durante a aquisição de um veículo novo.
Como o valor de carros com mais de 20 anos normalmente é baixo, há dúvidas se o crédito gerado por eles seria aceito como entrada para um outro mais novo. Aqui entraria a necessidade de dinheiro do governo.
A obtenção de recursos para subsidiar a transação viria da venda de carcaças de carros retidos nos pátios públicos. “Um caminhão tem umas 10 toneladas de material ferroso, que poderia ser muito valioso para uma siderúrgica”, disse Moan.
Segundo o presidente da Anfavea, além de ampliar a arrecadação do governo, o programa de renovação de frota “aumentaria a segurança no trânsito, reduziria os níveis de emissão de poluentes e diminuiria a necessidade de importação de combustíveis, uma vez que carros novos gastam menos”.
SITUAÇÃO DO SETOR
A Anfavea projeta queda de 7,5% nas vendas de veículos no mercado interno em 2016 e um aumento de 0,5% na produção. “Estamos trabalhando com 50% de capacidade ociosa, mas com o número de empregados de 2010 (quando o setor vivia seus melhores momentos)”, diz Moan.
Segundo ele, as montadoras estão evitando demissões. “Nosso empregado é muito qualificado. A última coisa que as empresas querem é perder esse profissional”, disse o presidente da Anfavea, que também afirmou não ter abordado esse tema nos recentes encontros que teve com o governo.
No ano passado, governo e montadoras negociaram a inclusão de trabalhadores no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que atrela a manutenção do emprego à redução de salário e jornada de trabalho. Cerca de 35 mil empregados das montadoras aderiram ao PPE.
Moan afirma que as montadoras enfrentam dificuldades financeiras e muitas estão recebendo aporte de recursos das suas matrizes. Em 2015 foi registrado o maior ingresso de capital estrangeiro direcionado ao setor.
Já a previsão para as vendas externas é de aumento de 8%, o que deve dar algum fôlego para as montadoras. Mas a participação das exportações no total das vendas do setor é relativamente pequena, de 18%.
Em 2005, o mercado externo representava 30% das vendas do setor, com um câmbio menos favorável que o atual.
FOTO: Agência Brasil

