Pedidos de falência crescem em novembro, informa a Boa Vista
O volume de pedidos de falência aumentou 2,8% em novembro na comparação com o mês de outubro, informa a Boa Vista SCPC. A atividade industrial registra queda

De acordo com a Boa Vista Serviços, apesar da queda de 1,4% dos pedidos de falência no acumulado de 2014, os efeitos do baixo crescimento econômico devem continuar nos próximos meses, fazendo com que o número de pedidos de falência aumente.
A pesquisa ainda indica que as falências decretadas caíram 4,3% no último mês. Mesmo assim, o número é 29,4% maior que o de novembro de 2013. Na comparação com o período entre janeiro e novembro do ano passado, as falências decretadas tiveram crescimento de 1,8% nos 11 primeiros meses de 2014.
Já o número de pedidos de recuperação judicial caiu 21% em novembro, enquanto houve 4,3% de crescimentos de recuperações judiciais deferidas no período.
ATIVIDADE INDUSTRIAL
A atividade da indústria paulista ficou praticamente estável em outubro ante setembro. Segundo a pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o indicador apresentou ligeira alta de 0,3% na série com ajuste sazonal. A previsão das entidades para o ano, no entanto, continua sendo de baixo dinamismo do setor, podendo chegar a uma queda de 5,4% em 2014.
O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das instituições, Paulo Francini, reitera que 2014 é “um ano péssimo para a indústria”. “A indústria de transformação está em crise e tomara que 2014 termine logo. Vamos para 2015 carregando uma esperança baseada no que não sabemos ainda”, afirma o diretor ao se referir ao novo cenário político econômico que se configura a partir de janeiro deste ano com a nova equipe econômica, encabeçada por Joaquim Levy, na Fazenda, Nelson Barbosa, no Planejamento, e Alexandre Tombini, que segue no cargo de presidente do Banco Central no próximo mandato de Dilma Rousseff.
“A nova política econômica a ser anunciada entre dezembro e início de janeiro vem sendo associada a um certo aperto para uma economia que já está razoavelmente debilitada, com um crescimento miserável em 2014 perto de 0,1%”, avalia.
O Indicador de Nível de Atividade (INA), medido pelo Depecon da Fiesp e do Ciesp, apurou ligeiro avanço de 0,3% na comparação mensal com ajuste sazonal, mas Francini descarta a possibilidade de recuperação da indústria este ano e também em 2015.
“Acreditamos que a possibilidade um ano bom e razoável [para indústria] é praticamente inexistente”, complementa.
Segundo a pesquisa, a performance do setor produtivo paulista registrou queda de 5,7% no acumulado de 12 meses. Na comparação com outubro do ano passado, a atividade industrial caiu 5,1%.
O indicador acumula ainda perdas de 6,1% de janeiro a outubro deste ano, sendo o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2003, com exceção de 2009, auge da crise, quando o indicador computou baixa de 12,6%.
Entre as variáveis contidas na pesquisa, o total de vendas reais exerceu a influência mais positiva ao índice ao mostrar avanço de 2,8% em outubro versus setembro.
Na contramão, o componente das horas trabalhadas na produção e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) registraram queda de 0,3% e 0,2 ponto percentual respectivamente na leitura mensal e com ajuste sazonal.
Entre os setores avaliados pela pesquisa, a indústria de Bebidas se destacou no campo das altas, com ganhos de 4%, puxada pelas variáveis horas trabalhadas na produção (3,2%), total de vendas reais (2,9%) e NUCI (0,7 ponto percentual), e em meio ao aumento do consumo por conta das elevadas temperaturas, sobretudo de água mineral por conta da falta de chuva no estado.
O desempenho do setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel também apresentou ganhos no mês, de 2,7%, em meio à influência positiva dos componentes total de vendas reais (3,2%) e horas trabalhadas na produção (2%).
Já a indústria de Artigos de Borracha e Plástico se destacou entre as perdas ao anotar baixa de 1,1% em outubro contra setembro. A variável horas trabalhadas na produção foi a principal influência negativa do segmento com queda de 2,3% no mês.
PERCEPÇÃO
A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, mostrou estabilidade no mês de novembro, a 48,4 pontos ante 48,5 pontos em outubro.
Já a variável Mercado mostrou queda de quase cinco pontos, para 45,8 em novembro contra 50,2 pontos no mês anterior. O mesmo aconteceu com o componente Estoque, que ficou em 43,1 pontos em novembro versus 45,7 pontos em outubro.
A percepção quanto ao item Vendas melhorou para 53 pontos no mês passado ante 50,7 pontos no mês anterior. Enquanto a variável Emprego também mostrou alta, de mais de dois pontos, para 47,8 ante 45,2 pontos em outubro.
De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 52,1 pontos contra 50,5 pontos em outubro.
(Foto:Thinkstock)

