Perda de grau de investimento preocupa ministro da Fazenda

Joaquim Levy considera que a retomada do crescimento pode ser afetada se o país tiver o rating rebaixado. Para evitar o rebaixamento, defendeu a meta firme de superávit

Redação DC
05/Set/2015
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Perda de grau de investimento preocupa ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse neste sábado, em entrevista durante reunião do GV-20, que até o final do ano a economia voltará a crescer, na margem. "Mas só haverá retomada do crescimento se não tiver perda do grau de investimento", afirmou em entrevista, numa das várias vezes em que enfatizou a necessidade da realização do ajuste fiscal.

 "A questão do investment grade gera incertezas. E quando há dúvidas, fica difícil o PIB crescer", ponderou. Na entrevista, o ministro confirmou a meta de superávit primário em 0,7%, mas ressaltou que é preciso discutir se há interesse da sociedade em garantir essa meta para o Brasil. 

Levy fez os comentários ao lado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Os dois participam das reuniões de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países integrantes do G-20 na capital da Turquia. 

SINAIS DE MELHORA

Na avaliação do ministro, já há sinais de recuperação da economia, especialmente nas contas externas, com melhor desempenho das exportações líquidas. "A agricultura vai bem. A safra cresceu 8%, segundo alguns", acrescentou. "Daqui a pouco, as empresas reduzirão bem os estoques", disse. 

Após ressaltar que a meta de superávit primário é de 0,7% do PIB para 2016, o ministro voltou a manifestar preocupação com a perda do grau de investimento. "Precisamos de meta firme para manter o grau de investimento do Brasil. É preciso encontrar um meio para viabilizar isso, inclusive no Congresso."

Levy destacou a necessidade de discutir se há interesse da sociedade em garantir a meta do superávit primário do Brasil. Reforçou também que a perda do grau de investimento colocaria em risco empregos e ainda poderia piorar a vida dos brasileiros.

PAPEL DO BANCO CENTRAL

Ao lado do ministro durante a entrevista, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a atuação do BC visa assegurar a estabilidade financeira do País e ressaltou que o câmbio é a primeira linha de defesa da economia, inclusive porque no Brasil vigora o regime flutuante. Sobre a atual volatilidade da moeda americana, Tombini lembrou que o governo criou instrumentos, referindo-se aos swaps cambiais, que oferecem “um colchão de proteção ao setor privado". Segundo ele, “esse instrumento foi feito para permitir que a economia transite na variação do câmbio”. 

INTERESSE DA SOCIEDADE

Na opinião do ministro da Fazenda, é preciso "discutir se há interesse da sociedade para garantir a meta de superávit primário", para o próximo ano. Ele reafirmou o "compromisso do governo" em cumprir este objetivo.

No campo das receitas para 2016, Levy afirmou que "há diversas coisas sendo consideradas, como venda de ativos do governo". Por outro lado, manifestou que em projetos de infraestrutura há bom potencial, que inclusive chama a atenção de países membros do G-20.

"Estamos discutindo dentro do Congresso e sociedade questões fiscais", afirmou o ministro. "O governo está empenhado em como tratar de renúncias fiscais.” Para Levy, aplicar políticas diferentes na área de tributos para os setores produtivos da economia "é ruim" porque provoca efeitos negativos sobre a arrecadação federal. "Evitar a erosão da base tributária é evitar a piora da distribuição de renda", comentou. 

Ele apontou a existência de avanços. “O Senado também votou a emenda para não ter novos gastos de despesas", disse, ressaltando várias vezes que é preciso encontrar um meio para "viabilizar o ajuste fiscal".

Com Estadão Conteúdo

Imagem: Agência Brasil

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