Posição Facesp-ACSP/O que seria o Nove de Julho hoje?
Mantidos os ideais que nortearam a ACSP, os empresários e a população paulista em 1932, é preciso agora que todos se engajem na luta pelo restabelecimento dos valores éticos em todos os campos de atividade
A Associação Comercial de São Paulo promoverá no próximo dia 16, no Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, cerimônia em homenagem aos heróis da Revolução de 1932, com a entrega do Colar Carlos de Souza Nazareth ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, Fernando Capez, e ao Coronel PM Mario Fonseca Ventura, veterano do movimento revolucionário de 32. O município de Buri também será homenageado, por contribuir para as tropas de SP durante o conflito.
O Colar, instituído pela ACSP, foi oficializado pelo Decreto 48.033/2003, pelo governador Geraldo Alckmin, para homenagear personalidades que contribuíram para o progresso do Estado.
O nome Carlos de Souza Nazareth foi dado ao Colar como reconhecimento de sua atuação à frente da ACSP em 32 – ele liderou a participação das classes produtoras no Movimento Constitucionalista, pelo que foi preso e exilado.
A Revolução Constitucionalista tem um significado especial para a Associação e para outras associações, não apenas por ser uma efeméride paulista, quando SP se levantou contra a ditadura, mas também porque é parte integrante da história das entidades.
É importante lembrar as origens do Movimento de 32, sua importância para a vida política do país, o envolvimento de todas as classes sociais paulistas - especialmente da juventude - para que as novas gerações conheçam esse episódio de bravura do povo de SP na defesa de seus valores.
A participação direta e ativa da ACSP na mobilização do empresariado e no suporte logístico da maior operação militar da história do Brasil demonstrou que a classe empresarial paulista se integrou aos anseios da população, mesmo com sacrifícios de seus negócios.
Por isso, eventos como o do dia 16 são importantes, pois visam a manter viva a memória dos que lutaram em defesa da liberdade e da legalidade e, a partir de seus exemplos, transmitir aos jovens e à população a necessidade de cultuar os valores éticos e morais em um momento em que a sociedade parece anestesiada pela perda de referenciais como patriotismo, família, responsabilidade, civismo.
O envolvimento do povo paulista com a causa, o heroísmo, a coragem, a dedicação e o idealismo de muitos que lutaram nas frentes de batalha ou na retaguarda do movimento deveriam ser lembrados e exaltados por todos os que amam a liberdade e o respeito às instituições.
Esses exemplos devem nos levar a pensar no seguinte: o que seria o Nove de Julho hoje? Ou seja, pelo que devemos lutar neste momento grave que o Brasil atravessa?
A ACSP se integrou de forma decisiva no movimento de 32 por considerar que apenas sob o regime constitucional seria possível “o restabelecimento da confiança e a restauração financeira e econômica do país, o que vale dizer, para a salvaguarda dos interesses morais e materiais mais imediatos e prementes da sociedade brasileira”, conforme documento enviado pela entidade a Getúlio Vargas, no qual solicitava o fim do do regime discricionário vigente.
Mantidos os ideais que nortearam a ACSP, os empresários e a população paulista em 1932, é preciso agora que todos se engajem na luta pelo restabelecimento dos valores éticos em todos os campos de atividade, pela melhora da educação, pelas reformas, pelo combate à pobreza e pela restauração do patriotismo, do civismo e da cidadania.
Podemos, hoje, repetir a convocação feita em 11 de fevereiro de 1932 pelo então presidente da ACSP, Carlos de Souza Nazareth: “A boa execução dessa tarefa vai reclamar não só nosso esforço, que não será poupado, mas a perfeita união das classes produtoras, afim de que sua voz seja escutada e sua força se faça sentir. Nunca como agora, essa união se faz tão necessária”.
Que a lembrança do Nove de Julho de 1932 leve à união do povo brasileiro na luta pelas mudanças de que o Brasil precisa com urgência.

