Processo de impeachment fez bolsa liderar em rentabilidade em março
O Ibovespa subiu 16,97% no mês e 15,47% no ano acompanhando o avanço do processo na Câmara dos Deputados. Na contramão, o dólar caiu 10,13%

Em março, o mercado financeiro reforçou a aposta de que o desfecho da crise política por meio do impeachment será positivo para a economia. É o que mostra o avanço de 16,97% do Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) no mês.
No acumulado do ano, a bolsa também subiu e liderou, com alta de 15,47%, o ranking de rentabilidade de aplicações financeiras elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo.
"Os fatos políticos dominaram o mercado. Neste mês, o investidor deve ficar atento em como o governo vai reagir e distribuir cargos com a saída do PMDB e se tais medidas serão suficientes para evitar o impeachment. O que é claro é a dificuldade de governar, já que o próprio PT não apoia as medidas austeras necessárias. O mercado entende que haverá algum encaminhamento com a entrada de outra pessoa, que coloque o país no rumo nos próximos dois anos", diz Colombo.
Segundo ele, o que deve também ficar no radar de investidores em abril são os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Colombo diz que, apesar dessa euforia, a decisão de montar uma posição em ações é indicada apenas para investidores com apetite ao risco e que não precisem do recurso aplicado nos próximos três anos.
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Em sentido contrário, e também movido pela cena política e externa, o dólar caiu 10,13% em março e acumula recuo de 9,05% no ano.
Quem tem viagem marcada para o exterior pode aproveitar para comprar aos poucos quando há desvalorização da moeda norte-americana, que segue oscilando. O euro também seguiu essa tendência em março e fechou com um recuo de 6,03%. No ano, já caiu 5,14%.
A desvalorização do dólar também influenciou a cotação do ouro, que teve desvalorização de 9,35% no mês, mas ainda segue oferecendo retorno de 5,90% no ano.
Entre as aplicações mais conservadoras de renda fixa, a boa notícia de março foi uma inflação mais comportada, o que melhora a rentabilidade real (descontada a inflação).
Assim, os fundos de renda fixa lideraram no mês, ao oferecer ganho médio bruto de 1,05% a 1,20%, dependendo da taxa de administração. No ano, o retorno médio foi de 3,33%.
Os fundos DI seguiram a mesma tendência, com rendimento bruto idêntico no mês, mas com um ganho médio de 3,25% no ano.
Dependendo do risco de crédito do banco e do valor investido, os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) ofereceram remuneração na faixa de 1,00% a 1,15% em março, com ganho indicativo de 3,17% no ano.
Essas aplicações tiveram melhor performance, em março, do que o retorno indicativo bruto dos títulos públicos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), na faixa de 0,85% a 1%, dependendo do prazo do papel. No ano, porém, o título ofereceu a maior rentabilidade indicativa na renda fixa, de 4,01%.
Por causa da desaceleração pontual da inflação, a poupança conseguiu trazer algum ganho real (descontada a inflação) em março, com rendimento líquido de 0,72%, superior ao IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que subiu 0,51%.
No ano, no entanto, a caderneta ainda acumula um rendimento baixo, de 1,23%, que não garante a manutenção do poder de compra se comparado ao IGP-M de 2,96% para o mesmo período.
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