Produção industrial acumula queda de 6,6% em 2015
Para o economista André Perfeito, a tendência é que a atividade industrial continue a piorar

A produção industrial caiu 1,5% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quarta-feira (02/09), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerando apenas os meses de julho, o desempenho é o pior desde 2013, quando a queda foi de 3,6%.
O resultado foi maior do as expectativas dos analistas, que esperavam declínio de 0,60% a avanço de 0,60%, com mediana de -0,10%.
Em relação a julho de 2014, a produção caiu 8,9%, índice também pior do que o esperado. No ano, a produção da indústria acumula queda de 6,6% até julho, de acordo com o IBGE. Já em 12 meses, o recuo é de 5,3%.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou o desempenho da produção industrial em junho ante maio. A queda na atividade foi de 0,9%, mais do que o recuo de 0,3% apurado anteriormente.
O órgão ainda revisou a taxa de maio ante abril, para avanço de 0,4%, contra aumento de 0,6% na leitura inicial.
A queda de 1,5% na produção industrial em julho ante junho é a maior, considerando todos os meses, desde dezembro de 2014, quando caiu 1,8% em relação a novembro do mesmo ano, informou o instituto.
De olho em 2016
O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, comentou que os dados divulgados pelo IBGE dão evidências de que ocorrerá uma desaceleração mais forte da economia nos próximos períodos.
"Começamos o terceiro trimestre com o pé esquerdo. Os empresários continuam sem confiança para com a economia brasileira e a tendência é de a atividade industrial só piorar", afirma Perfeito.
O economista achou preocupante o resultado da produção da indústria de bens de capital em julho, que recuou 1,9% ante junho e 27,8% ante julho de 2014, acumulando uma retração de 20,9% no ano e de 16,8% em 12 meses. "O comportamento é reflexo dos ajustes do governo que têm se demonstrado fortes para a indústria", diz Perfeito.
Outro dado "muito preocupante" na avaliação do especialista é que a comparação anual do resultado geral da produção da indústria foi a maior para o mês desde 2009, quando houve queda de 10%.
Perfeito acredita que hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) irá decidir por elevar em 0,25 ponto porcentual a taxa de juros básica (Selic), mesmo que os dados da produção industrial estejam muito ruins e que o setor tenha conclamado a interrupção do movimento de alta do indicador.
"Os olhos estão voltados para 2016 e agora com a informação de que há a possibilidade de não termos superávit primário no ano que vem, a decisão será pelo aumento dos juros. Além disso, o Copom, com esse novo aumento, tentará ancorar um pouco as expectativas para 2016", diz Perfeito.
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