Projeto de Lei estabelece limites para alterações em contratos
Texto do Projeto de Lei 1179/20, que tramita na Câmara dos Deputados, impede o despejo de inquilinos comerciais e residenciais até 30 de outubro
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1179/20, que prevê uma série de regras de caráter temporário para as relações jurídicas durante o estado de calamidade pública.
Entre outros pontos, a proposta estabelece novos parâmetros para extinção, dissolução e revisão de contratos privados e estabelece algumas garantias para as partes envolvidas em contratos de locação.
Determina, por exemplo, que até 30 de outubro fique suspensa a concessão de liminares de despejo que afetem inquilinos - comerciais ou residenciais - com aluguel atrasado.
Pelo texto em análise na Câmara, a suspensão atingirá liminares ajuizadas a partir de 20 de março, data em que a calamidade pública foi decretada.
Segundo o advogado Silvio Donato Scagliusi, especialista em Direito Civil, se o projeto for aprovado na íntegra, no caso de contrato de locação, liminares só serão concedidas para três situações específicas a partir de 20 de março: em caso de locação por temporada; falecimento do locatário e necessidade de obras emergenciais no imóvel.
Mesmo se o projeto não for aprovado, segundo Scagliusi, as partes envolvidas no contrato de locação irão buscar o entendimento antes de judicializar a questão.
O advogado diz que eventos desencadeados a partir de 20 de março já são mais facilmente resolvidos por acordos entre as partes.
“A partir do confinamento, ao final de março e entrando em abril, locadores passaram a conceder desconto no aluguel ou transferido para o futuro a data de pagamento sem multa ou juros”, disse Scagliusi durante live do programa #TamoJuntoSP, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
REVISÃO DOS CONTRATOS
O Projeto de Lei 1179/20 também estabelece novos parâmetros para revisão de contratos entre empresas, como com fornecedores, por exemplo.
A proposta determina que as consequências de qualquer alteração contratual - seja pela revisão, extinção ou dissolução do contrato - que tenha como motivo a pandemia de coronavírus, não terão efeitos jurídicos retroativos.
Também especifica que o aumento da inflação, variação cambial ou a desvalorização monetária não poderão ser considerados fatos imprevisíveis que justifiquem a revisão ou dissolução de contratos.
CONCORRÊNCIA
O texto que tramita na Câmara do Deputados afrouxa algumas regras concorrenciais até o final de outubro.
Por exemplo, vender produtos abaixo do preço de mercado, mesmo sem justificativa, não será considerada infração da ordem econômica até 30 de outubro.
O conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também só analisará a partir dessa data casos de possível concentração de mercado, decorrentes de associação, consórcio ou joint venture firmadas a partir do início da pandemia.
HORA DE NEGOCIAR
O advogado Paulo Penna, especialista em Direito Societário e Contratual, diz que o momento atual é de negociação, não de judicialização dos contratos.
“A ideia é manter as relações comerciais quando a crise passar, por isso, renegociar é melhor. Sempre é possível oferecer desconto, postergar pagamento, conceder uma pequena moratória. É preciso sentar com a outra parte e renegociar”, disse Penna.
Além disso, segundo o advogado, nesse momento de economia parada, as ações direcionadas ao Judiciário tendem a aumentar, portanto, judicializar o problema apenas prolongará sua resolução.
Penna diz que na situação atual, renegociar os contratos não exige nem mesmo um aditivo formal. “Os novos parâmetros podem ser formalizados com uma simples troca de carta assinada pelas duas partes”, disse o advogado.
LEIA MAIS
Os cuidados antes de reduzir jornada e suspender contrato da equipe
Como gerir os estoques com o comércio fechado?
E se a empresa deixar de recolher impostos na crise?
Lojistas de shopping podem renegociar contratos na crise
Funcionário em home-office deve receber vale-refeição?
ACSP faz uma radiografia da situação do comércio em meio à pandemia
Redes agem para ajudar franqueados a ultrapassar crise
Passo a passo para montar uma loja virtual
Coronavírus: saiba o que mudou nas legislações trabalhista e tributária
Como equilibrar as finanças durante a crise do coronavírus
Cuidados para evitar que a empresa seja saqueada na quarentena
Carrefour vai na contramão da crise e abre 5 mil vagas
Representante da São Paulo que nunca dorme, bar Estadão teve de fechar
Em tempos de coronavírus, o negócio é vender à distância
Apps de delivery se mobilizam em prol dos pequenos negócios
Aluguel comercial atrasado: quais os riscos e como proceder?
Medida do governo simplifica legislação trabalhista
Serviço de delivery: qual modelo utilizar?
Coronavírus: entenda os critérios para antecipar férias e reduzir jornada da equipe
Guia orienta bares e restaurantes a lidarem com o coronavírus
Coronavírus: cuidado com as finanças para não se perder na crise
Governo prorroga prazo para pagamento do Simples Nacional
Pequenos empresários podem prorrogar pagamento de dívidas
No Brás e no Bom Retiro, vendas caem pela metade em dois dias
Coronavírus já deixa restaurantes de shoppings vazios
Coronavírus muda hábitos de consumo pelo mundo
5 dicas para o pequeno empresário enfrentar a crise do coronavírus
Guedes anuncia R$ 147 bilhões para reduzir efeitos do coronavírus
IMAGEM: Pixabay

