Protesto de caminhoneiros bloqueia rodovias em oito Estados

Até às 17 horas desta segunda-feira (09/11), 47 manifestações ocorriam em dez estados: BA, ES, GO, MG, MT, PE, PR, RS, SC e TO. Multa para os caminhoneiros que interditarem as estradas será de R$ 1.915

João Batista Natali
09/Nov/2015
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Protesto de caminhoneiros bloqueia rodovias em oito Estados

O protesto dos caminhoneiros liderado pelo Comando Nacional do Transporte já bloqueou rodovias em dez Estados até a tarde desta segunda-feira (09/11), segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Os transportadores pedem redução no preço do óleo diesel, uma tabela de preços mínimos para o frete e a saída da presidente da República, Dilma Rousseff, do poder.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que os caminhoneiros que interditarem as estradas serão multados em R$ 1.915,00. "Esse é um movimento com um viés claramente político", disse.

"Não tem pauta de reivindicações e isso fez com que a maior parte dos caminhoneiros do país não aderisse à manifestação".

Além de aplicar a multa de R$ 1.915,00, a Polícia Rodoviária Federal também foi orientada a desobstruir as estradas e garantir a segurança dos caminhoneiros que quiserem trabalhar.

Até às 17 horas, havia 47 manifestações de caminhoneiros, sendo cinco delas com interdição total da via e 22 bloqueios parciais. Os protestos ocorriam em 10 Estados: Bahia, com 4 pontos de protesto, Espírito Santo (1), Goiás (5), Minas Gerais (4), Mato Grosso do Sul (2), Pernambuco (1), Paraná (8), Rio Grande do Sul (16), Santa Catarina (5) e Tocantins (1).

A PRF informou, ainda, que nos locais onde os bloqueios são parciais apenas os caminhões estão sendo retidos - ônibus, veículos de passeio e ambulâncias tinham trânsito livre.

Os protestos realizados por caminhoneiros autônomos ganharam novos adeptos ao longo desta segunda-feira, primeiro dia de mobilização.

No Rio Grande do Sul, o número de pontos de concentração aumentou durante a tarde para 16 - sendo 13 em rodovias federais e três em estaduais.

De acordo com a PRF e o Comando Rodoviário da Brigada Militar, os grupos que optaram por parar as atividades estão se reunindo em postos de combustíveis ou acostamentos. Veículos de passeio, motos, ambulâncias e ônibus têm a passagem liberada.

Os manifestantes abordam pacificamente outros motoristas de caminhão para tentar convencê-los a parar. Aqueles caminhoneiros que levam cargas perecíveis e suprimentos para hospitais são liberados a seguir viagem.

Dentre os pontos onde ocorrem os protestos no Rio Grande do Sul estão a BR-116 (um trecho na altura de Vacaria e outro na região de Pelotas), BR-472 (Santa Rosa), BR-386 (Soledade) e RS-122 (Farroupilha).

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do porto de Rio Grande informou que, por enquanto, não houve impacto nas operações nos terminais. Como o porto fica no extremo sul do Estado, e os protestos se concentram principalmente no centro e no norte, a tendência é de que os efeitos comecem a aparecer a partir desta terça-feira (10/11).

Os protestos são organizados pelo grupo intitulado Comando Nacional do Transporte (CNT), que defende melhorias nas condições das estradas, o estabelecimento de valores mínimos para o frete e a redução do preço do diesel, além de exigir a saída da presidente Dilma Rousseff do governo. A paralisação não é reconhecida pelas principais entidades que representam a categoria dos caminhoneiros no país.

GREVE POLÍTICA

O ministro Edinho Araújo, da Comunicação, disse em Brasília que a greve é "política" e sua extensão é apenas "pontual".

Por volta das 6 horas, os caminhoneiros também realizaram uma manifestação na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, o que provocou filas de nove quilômetros na via nesse horário.

No fim de semana, a categoria já tinha realizado manifestações em cidades como Apucarana e Ibiporã, no Paraná, um dos Estados onde é esperada a maior adesão.

Quase toda a movimentação vem sendo organizada via aplicativos de celular e pelas redes sociais, mas não conta com a adesão de boa parte das entidades nacionais que representam o setor.

Um dos líderes da categoria e organizador da paralisação, Ivar Schmidt afirma que a luta é pela renúncia da presidente Dilma Rousseff. Ele está à frente do "Comando Nacional do Transporte" e garante que os caminhoneiros, agora, somente vão negociar "com o próximo governante".

A greve ganhou o apoio de grupos como Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. Os líderes do movimento garantem já ter grande apoio também de caminhoneiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A expectativa é atingir pelo menos 70% do país inicialmente.

CONTRA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou em nota que as liminares obtidas contra os bloqueios da greve dos caminhoneiros ocorrida em fevereiro deste ano continuam valendo. 

Segundo o comunicado, a liminar que concede às agroindústrias associadas trânsito livre pelas rodovias federais foi ajuizada na 1º Vara Federal de Joaçaba (SC) e ainda está ativa. 

"Novas ações estão sendo ajuizadas pela associação com o mesmo objetivo, para estradas que não estão contempladas pela primeira liminar", informou a ABPA. 

"Com isto, os caminhões que estejam a serviço de empresas associadas à ABPA deverão ter trânsito assegurado pelas rodovias federais. A decisão vale não apenas para caminhões carregados, como também para veículos que estejam buscando carga."

A ABPA reúne 139 associados entre agroindústrias produtoras e processadoras de carne de aves, suínos e ovos para consumo, casas genéticas, produtoras de pintos e ovos férteis, insumos biológicos e farmacêuticos, rações, certificadoras, além de entidades estaduais e setoriais dos vários elos produtivos. 

Várias entidades que representam o setor se manifestaram contra esse movimento e veem interesses políticos por trás dessa paralisação. Para o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Bens no Estado do Pará (Sindicam-PA), a greve é organizada "por pessoas que não fazem parte da categoria e estão aproveitando o momento de dificuldade que o país passa".

Já a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens) diz que "os problemas que afetam a categoria são muitos e que, para resolvê-los, é preciso coesão e sabedoria".

Entidades de Goiás e Tocantins também assinaram, juntos, um documento contra a greve.

Principal alvo dos sindicatos, Ivar Schmidt tem 44 anos, mora em Mossoró (RN) e nega qualquer vínculo partidário. Caminhoneiro, ele começou a se destacar há um ano e, em 2015, criou o "Comando Nacional do Transporte".

FOTO: MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Atualizado às 20h50

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