Queda do dólar já preocupa a indústria
A atual trajetória de valorização do real pode ter efeitos negativos na competitividade global das empresas brasileiras

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em nota técnica divulgada nesta quinta-feira (23/02), alerta o governo sobre os efeitos da valorização do real na competitividade das empresas e no emprego.
"O nível da taxa de câmbio é uma variável fundamental no processo de desenvolvimento econômico, pois alterações na taxa de câmbio podem provocar importantes efeitos sobre a estrutura produtiva e de emprego do País", diz a nota.
A entidade avalia que a forte mudança no preço da moeda estrangeira, como observado nos últimos meses, "pode causar danos irreparáveis nas estratégias das empresas e no investimento".
O documento destaca que as operações de comércio exterior têm prazos longos, com muitos negócios de exportação realizados há seis meses, com uma determinada taxa de câmbio, e que acabam com seu fechamento financeiro afetado quando a taxa de câmbio sofre valorização brusca e excessiva, resultando muitas vezes em prejuízo.
No documento, a CNI destaca que o comportamento da taxa de câmbio reflete diretamente na competitividade da indústria, pois sua valorização torna os produtos estrangeiros mais competitivos frente aos nacionais.
A entidade avalia que a volatilidade também é um problema.
"Não só a trajetória de valorização em si é nociva, a própria instabilidade, ou volatilidade, da taxa de câmbio também é muito negativa”, afirma a nota.
Sondagem realizada pela CNI apontou a instabilidade da taxa de câmbio entre os principais problemas enfrentados pela indústria em 2016.
"A instabilidade dificulta a formação de preços, as decisões de investimento e de produção das empresas industriais."
EXPECTATIVAS DE AÇÕES
A CNI avalia que, no curto prazo, é "indispensável adotar mecanismos que evitem a valorização permanente da moeda brasileira, que retira a competitividade dos produtos brasileiros, tanto no mercado brasileiro como no mercado global, bem como suas oscilações excessivas".
A nota técnica reconhece que é difícil alterar a tendência dos movimentos cambiais globais, mas destaca que é possível atuar para evitar flutuações excessivas da taxa de câmbio e, principalmente, "coordenar as políticas domésticas para minimizar os efeitos indesejados sobre a taxa de câmbio".
"A vigência de uma política monetária muito restritiva, em função da permanência de déficits fiscais elevados, provoca a ocorrência de taxas de juros brasileiras muito acima das taxas internacionais”.
A nota prossegue, “o diferencial de juros atrai recursos externos que fomentam uma valorização da moeda brasileira não fundamentada nos fatores reais de custo e competitividade.”
“A convergência da inflação para a meta permite, e justifica, a redução desse diferencial, com queda mais pronunciada dos juros domésticos", diz o documento da CNI, destacando a importância dos formuladores de política terem em mente os efeitos da valorização cambial não só na inflação, mas em toda a economia, em especial na indústria.
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