Rebaixamento terá forte impacto para empresas brasileiras
O ministro Joaquim Levy (foto) diz que a principal consequência da perda do grau de investimento se manifesta na economia real, com o aumento dos juros para as empresas que captam recursos no exterior

O impacto da perda do grau de investimento (selo de bom pagador) do Brasil vai ser grande sobre a economia real e ainda não está totalmente absorvido, afirmou nesta sexta-feira (18/12) o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Apesar de o rebaixamento pela agência de classificação de risco Fitch não ter provocado grandes oscilações na cotação do dólar, o ministro rejeitou a hipótese de que a redução da nota do país esteja precificada – ou seja, incorporada aos preços dos ativos financeiros.
“A questão do rebaixamento é um sinal de atenção. Não entendo essa história de que está tudo precificado. A gente pode mudar as coisas. O rebaixamento tem impacto forte na vida das empresas, dificulta [a obtenção de] crédito para elas avançarem”, declarou o ministro em café da manhã com jornalistas.
De acordo com Levy, o rebaixamento não representa um problema apenas para a dívida pública brasileira, que está crescendo. Segundo ele, a principal consequência da perda do grau de investimento se manifesta na economia real, com o aumento dos juros para as empresas que forem captar recursos no exterior.
“O rebaixamento não é problema de dívida pública, nem da nossa dívida externa, que está baixa. O problema é o que significa para as empresas”, acrescentou o ministro. Por causa das reservas internacionais em torno de US$ 368 bilhões, o país é credor externo, tendo mais ativos que dívidas no exterior.
Fazendo uma comparação com o futebol, Levy cobrou o compromisso do governo em relação ao ajuste fiscal para reverter as consequências do rebaixamento no médio prazo.
“Acho importante tomar medidas no âmbito fiscal para reverter as consequências do rebaixamento. Acho que a gente tem condição de trabalhar. Voltar à primeira divisão dá um pouquinho de trabalho, mas sempre é possível.”
Em relação à decisão do Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, de elevar os juros básicos dos Estados Unidos pela primeira vez em nove anos, o ministro disse que, diferentemente do rebaixamento, os efeitos do aumento das taxas já está absorvido pela economia mundial.
Para ele, a elevação foi boa porque elimina incertezas que há meses pairavam sobre o mercado financeiro internacional.
“Ao contrário do rebaixamento, a elevação dos juros pelo Fed já estava precificada. A elevação [de 0,25 ponto percentual] indica que futuros aumentos serão feitos de maneira gradual. O Brasil estava preparado para isso. Era bom acontecer logo porque a resolução de incertezas traz aspectos positivos para a economia mundial.”
IMPEACHMENT
A possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff é pequena e não tem chance de prosperar, na avaliação de Levy.
Ele disse que a economia reagirá bem, assim que acabarem as incertezas políticas, mas reiterou que são necessárias reformas estruturais e comprometimento com o ajuste fiscal para que o país recupere o crescimento sustentável.
“No momento, a perspectiva de impeachment é pequena. As pessoas não querem mais incertezas. Na medida em que governo puder articular, apontar com clareza o que se espera nos próximos três anos, as incertezas vão diminuir”, afirmou.
O ministro lembrou que a economia brasileira tem vantagens em relação a outros países para superar a crise, como o fato de não existir uma bolha imobiliária e as famílias serem menos endividadas que nas economias avançadas.
Ele disse, no entanto, que o Brasil precisa estar atento a países vizinhos, como Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai e Paraguai, que estão promovendo reformas para dinamizar a economia.
MINISTRO NÃO CONFIRMA A SAÍDA DO CARGO
Durante o encontro com jornalistas, o ministro afirmou que quaisquer mudanças na equipe econômica dependerão de o governo definir quais são suas prioridades. Ele evitou confirmar se está de saída do governo e disse que não quer criar nenhum constrangimento à presidente.
Durante toda a manhã, os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo mantiveram-se em baixa.
No início da tarde, a cautela do mercado permaneceu e, às 13h18, os negócios estavam em baixa de baixa de 1,93%, com o Ibovespa, índice de Bolsa de Valores, em 44.388 pontos.
FOTO: José Cruz / Agência Brasil

