Recuperação do crédito imobiliário fica para 2017
Estimativa é da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. Nesta terça-feira (06/12), FGTS aumentou limites de financiamento em 108 municípios

O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho, estimou recuperação do crédito imobiliário destinado à produção e comercialização de imóveis em 2017, após dois anos seguidos de queda.
"Para 2017, vamos ver um cenário de melhora", disse nesta terça-feira (06/12) Abreu, sem citar números, em mesa-redonda no Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
A expectativa do executivo é que os estoques de imóveis novos não vendidos caiam gradualmente, motivando as empresas de incorporação imobiliária a retomar os lançamentos de novos projetos.
"Por mais difícil que seja, os estoques serão consumidos nos próximos anos, e isso levará o setor a voltar a produzir. O nível de lançamentos das incorporadoras foi baixíssimo e isso não será sustentável para os próximos anos", explicou.
Abreu acrescentou que outro ponto favorável é a tendência de redução da taxa básica de juros, incentivando oferta de crédito mais barato pelos bancos.
"Apesar de o dinheiro ainda não estar barato, ele está mais acessível. Vocês vão ver os bancos acompanhando a queda da Selic e voltando a ofertar", estimou.
O presidente da Abecip lembrou também que o crédito imobiliário foi extremamente afetado pela escassez de funding.
Em dois anos, as cadernetas de poupança - que servem de fonte de recursos para os financiamentos - tiveram captação líquida negativa (saldo entre depósitos e saques) de quase R$ 100 bilhões.
Os financiamentos imobiliários, por sua vez, somaram R$ 37,2 bilhões janeiro e outubro de 2016, o montante foi 44,2% menor que o registrado em igual período do ano passado. Segundo Abreu, os financiamentos devem atingir R$ 45 bilhões neste ano.
O presidente da Abecip ponderou que a perspectiva de melhora do setor permanece muito influenciada pelo andamento do quadro macroeconômico, que, por sua vez, segue marcado por forte incerteza oriunda do campo político.
"A grande incerteza é que o vai acontecer com a política, pois isso é o que desenhará se o cenário do mercado será de retomada do mercado ou de queda", observou.
FGTS ELEVA LIMITE PARA CRÉDITO IMOBILIÁRIO
O conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta terça-feira (06/12) uma alteração no valor de imóveis financiáveis pelo fundo nos municípios com população entre 100 mil e 250 mil pessoas.
Segundo o Ministério do Trabalho, a mudança atinge 108 municípios de diversas regiões do país.
O valor dos imóveis financiados pelo FGTS varia de acordo com o tamanho das cidades e as regiões onde elas se encontram.
Na maior parte dos municípios, o teto do valor do imóvel financiado pelo fundo subiu de R$ 135 mil para R$ 170 mil em linhas especiais como o pró-cotista.
A secretária nacional de habitação, Maria Henriqueta Arantes Ferreira Alves, explicou que o objetivo foi fazer um ajuste de mercado.
"Estamos buscando promover contratações em municípios onde havia demanda, mas não havia teto compatível com essa demanda", afirmou.
No mês passado, o governo decidiu elevar o valor do imóvel que pode ser comprado com recursos do FGTS, assim como o valor da casa própria que pode ser financiada dentro das regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) - modalidade de crédito que conta com juros mais baratos.
A decisão foi tomada em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que reúne os ministros da Fazenda e do Planejamento e o presidente do Banco Central.
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