Recuperação judicial registra novo recorde no 1º trimestre

Levantamento do Monitor RGF mostra 319 novas empresas em recuperação judicial no período, que fechou com um estoque de 5.931

Estadão Conteúdo
27/Abr/2026
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Recuperação judicial registra novo recorde no 1º trimestre

Em meio a um cenário de juros elevados e pressão financeira, o primeiro trimestre do ano registrou um novo recorde de empresas em recuperação judicial. Um levantamento do Monitor RGF mostra um crescimento de 4,4% sobre o último trimestre de 2025 e um aumento de 22% em relação aos primeiros três meses do ano passado.

O estudo mostra que foram 319 novas empresas em recuperação judicial no primeiro trimestre, encerrado com um estoque de 5.931. No período imediatamente anterior, o número era de 5.680, já no primeiro trimestre de 2025, o estoque chegava a 4.881 pessoas jurídicas na situação. Desde o início do monitoramento pela RGF Assessoria, em 2023, cada trimestre é marcado por um novo recorte.

Os dados sugerem também que ainda há um ambiente de desafio na execução de planos de recuperação judicial. No primeiro trimestre deste ano, 29% das empresas que encerraram o processo tiveram a falência decretada, registrando porcentual idêntico ao do trimestre anterior, mas mantendo-se acima da média dos registros feitos a partir de 2024.

O contínuo crescimento de empresas em recuperação judicial, segundo especialistas, é atribuído principalmente aos juros elevados e custos altos. Para Anna Luiza Piersanti, sócia do Coelho, Murgel, Atherino Advogados, “os números indicam que o ambiente econômico ainda impõe restrições relevantes à liquidez das empresas, o que se traduz em maior recorrência ao regime recuperacional como mecanismo de reorganização de passivos.”

Esse cenário foi o que também levou a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar (GPA) a protocolarem pedidos de recuperação extrajudicial no primeiro trimestre do ano. Os casos são citados pelo relatório da RGF como forma de reforçar a pressão financeira que tem atingido grandes empresas.

Setores

Segundo o levantamento, o setor da agropecuária segue tendo o maior crescimento, tendo 14,42 empresas em recuperação a cada mil em atividade. O estudo pondera que o setor continua muito exposto à combinação entre custo financeiro elevado, risco climático, volatilidade de preços e necessidade intensiva de capital de giro, fatores que alimentam a pressão financeira e podem levar à recuperação judicial.

Em seguida vêm a indústria, com 6,92 companhias em recuperação a cada mil, e o setor de infraestrutura, com 4,08 a cada mil.

 

IMAGEM: Freepik

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