S&P rebaixa nota de crédito de São Paulo e mais três estados
Credit Suisse espera mais um corte no rating do Brasil no segundo semestre - o que deixaria o país com a mesma nota atribuída a Bangladesh e Suriname

A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou os ratings de crédito em escala global (moeda estrangeira e local) dos Estados de São Paulo e Santa Catarina, de BB+ para BB; e de Minas Gerais de BB+ para BB-.
Os ratings em moeda estrangeira e local da cidade do Rio de Janeiro também foram rebaixados de BBB-/A-3 para BB/B. Já o rating do Estado do Rio foi mantido em BB- (moeda estrangeira e local).
Além disso, a agência rebaixou os ratings em escala nacional de SP e SC de brAA+ para brAA-, de Minas de brAA para brA, e da cidade do Rio de brAAA para brAA-.
O rating em escala nacional do Estado do Rio foi afirmado em 'brA'. A perspectiva para o rating de longo prazo em moeda estrangeira e local, e dos ratings em escala nacional permanece negativa.
A ação da S&P vem na sequência do rebaixamento do rating do Brasil de BB+ para BB- (longo prazo em moeda estrangeira) e de BBB- para BB (longo prazo em moeda local) - com perspectiva negativa anunciada nesta quarta-feira (17/02).
A agência diz que acredita que "o perfil de crédito do Brasil se enfraqueceu ainda mais desde 9 de setembro do ano passado", na ocasião do último rebaixamento do país.
Em relatório, a S&P ainda diz que a perspectiva negativa para o rating do Brasil reflete a maior probabilidade de um novo rebaixamento, em decorrência do potencial risco de reveses políticos.
O banco Credit Suisse acredita que o Brasil deve sofrer novo rebaixamento da S&P no segundo semestre de 2016. Com a piora prevista para acontecer na segunda metade do ano, a nota do Brasil cairia do novo "BB" para "BB-", o que colocaria o país com a mesma nota atribuída a Bangladesh e Suriname.
"Nós agora esperamos que a S&P rebaixe o país para BB- no segundo semestre. Na nossa visão, as previsões da agência ainda são muito otimistas a despeito das revisões para baixo", dizem os analistas da casa.
O banco dá como exemplo a previsão da S&P de que haverá recessão de 3% em 2016 e crescimento da economia brasileira de 1% em 2017. Para o Credit Suisse, "há grande chance" de que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) frustre a previsão da agência nos dois anos.
PROBLEMAS DOMÉSTICOS
Lisa Schineller, diretora-gerente de ratings soberanos da Standard & Poor's (S&P), afirmou a jornalistas e analistas nesta quinta-feira (18/02) que o novo corte do rating brasileiro é reflexo principalmente de fatores domésticos, e não de problemas externos.
O cenário externo mais desfavorável - com a China em desaceleração, queda das commodities, volatilidade do mercado financeiro mundial e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) elevando juros - traz desafios adicionais ao Brasil, mas são os problemas internos que têm pesado mais na economia e na avaliação do risco de crédito do país, disse Lisa em teleconferência para comentar o novo rebaixamento da nota do Brasil.
"O cenário externo não está guiando as ações no rating brasileiro. A trajetória de rebaixamento dos ratings está vindo mais dos resultados da ação ou da falta de ação da política econômica doméstica", afirmou a diretora da S&P.
"O cenário externo torna as coisas mais difíceis, mas a história de crescimento, tão fraca como está, não é por conta dos preços das commodities", salientou Lisa.
Para a S&P, a recessão no Brasil está ligada principalmente às consequências das investigações de corrupção na Petrobras, que tem reduzido a capacidade de investimento da companhia, e ao cenário conturbado em Brasília, o qual mantém o nível de confiança de empresários e consumidores em mínimas históricas.
Lisa ressaltou que os riscos no Brasil estão mais para o lado negativo e que uma eventual piora adicional nas contas fiscais e no Produto Interno Bruto (PIB) pode levar a S&P a rebaixar novamente a nota do país.
"A dinâmica da política em Brasília conteve a execução da política econômica", afirmou ela, ressaltando que a combinação de economia em forte recessão, do espaço limitado para o uso da política econômica e do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff contribuem para que o ajuste seja mais lento do que o inicialmente esperado.
Perguntada sobre as diferenças entre a crise atual e as outras enfrentadas pelo Brasil no passado, Lisa ressaltou que o câmbio flexível é um ponto positivo e que as contas externas estão muito melhores agora, incluindo as reservas cambiais.
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