Senado decide manter prisão de Delcídio Amaral
O resultado da votação aberta foi proclamado pelo senador Renan Calheiros, presidente da Casa, às 21h30 desta quarta-feira (25/11)

Por 59 votos contra 13 a favor do relaxamento e uma abstenção, o Senado Federal ratificou a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo.
A manutenção da prisão de Delcídio Amaral foi recebida por um plenário em silêncio. Como na votação anterior, que definiu se o voto seria aberto ou não, o PMDB liberou a bancada.
O líder do PT, Humberto Costa (PE) orientou os petistas a votar pelo relaxamento da prisão, lamentando não poder afirmar que essa era também uma posição do partido. Depois de anunciar o resultado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, declarou que a decisão seria encaminhada ao STF e encerrou a sessão.
Pouco antes do início da votação no plenário do Senado que definiria se a decisão seria secreta ou aberta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, encaminhou parecer a favor da votação aberta. A decisão foi comunicada pela assessoria do ministro antes dos senadores tomarem partido e influenciou a decisão dos parlamentares.
Logo em seguida, apenas o PT orientou a bancada a exigir o voto secreto. Demais partidos da base, como PDT e PMDB, não se comprometeram e liberaram as bancadas.
Fachin respondia ao mandado de segurança protocolado por parlamentares da oposição nesta tarde, pedindo que a votação fosse aberta.
Os senadores temiam articulação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se colocou a favor da votação secreta, amparando-se em regimento do Senado Federal.
Os demais senadores, entretanto, argumentavam que a Constituição não previa votação fechada.
Sete dos 13 senadores investigados na Operação Lava Jato manifestaram-se na noite desta quarta-feira, 25, pelo voto secreto no eventual relaxamento de prisão do líder do governo na Casa.
A proposta do voto sem o registro nominal de votos, contudo, foi derrubada pelo plenário do Senado: 52 senadores votaram a favor do voto aberto, apenas 20 secreto e ainda houve uma abstenção.
Votaram pelo voto secreto os seguintes senadores investigados na Lava Jato: Fernando Collor (PTB-AL), Benedito de Lira (PP-PI), os peemedebistas Edison Lobão (MA) e Valdir Raupp (RO), os petistas Gleisi Hoffmann (PR), Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE).
PRISÃO NOS EUA
A Polícia Federal informou que o advogado Edson Ribeiro, alvo da Operação Lava Jato, foi preso nos Estados Unidos.
A PF destacou que Ribeiro, defensor do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, será transferido para o Brasil após realização de alguns procedimentos burocráticos.
O advogado já havia saído do País quando sua prisão foi decretada. A PF informou que o visto de Edson Ribeiro foi cassado.
A operação que levou à prisão do advogado, o senador Delcídio do Amaral (PT/MS), seu chefe-de-gabinete Diogo Ferreira, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, iria se chamar Catilina - uma referência ao militar e senador da Roma Antiga, celebrizado por ter tentado derrubar a República e a oligarquia do Senado.
Mas, afinal, os investigadores decidiram não batizar a missão que tem como alvo maior o líder do Governo no Senado.
DEFESA
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, responsável pela defesa do banqueiro André Esteves, entrou com um pedido na noite desta quarta, 25, no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a revogação da prisão preventiva do executivo do BTG Pactual.
Esteves foi preso nesta quarta-feira suspeito de obstruir as investigações da Operação Lava Jato, assim como o senador Delcídio Amaral (PT-MS), ao tentarem comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República com base em conversas gravadas pelo filho de Cerveró, o senador petista ofereceu uma mesada de R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras não firmasse acordo de delação premiada ou, se feita a colaboração, poupasse o congressista e o BTG Pactual.
A verba seria financiada por André Esteves, segundo as conversas entre o parlamentar, o então advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, e o filho do ex-diretor, Bernardo Cerveró.
Kakay alega ao STF que a prisão temporária de Esteves foi baseada "única e exclusivamente" na fala de Delcídio, que, na mesma conversa, cita o nome de outras autoridades contra as quais não recaiu suspeita.
André Esteves nega que conheça Cerveró, o filho do ex-diretor ou o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro.
De acordo com o criminalista, o banqueiro conhece Delcídio assim como tem contato com outros parlamentares.
O banqueiro nega também que tenha tido acesso à minuta de delação premiada de Cerveró. Em conversas, Delcídio disse que o banqueiro tinha cópia do que o ex-diretor iria delatar ao Ministério Público.
"Contra o Esteves, o que sobrou foi a palavra do Delcídio, no meio de uma conversa em que ele cita várias outras autoridades. É uso indevido do nome. Sob todos os aspectos, é uma prisão injustificada", disse o advogado.
Considerado no mercado um banqueiro com perfil agressivo nos negócios, André Esteves sempre cultivou relações com políticos de vários partidos. O BTG, banco que ele presidia, está entre os onze maiores doadores de campanha nas eleições de 2014.
No total, o banco repassou R$ 31,9 milhões, segundo dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O único banco que superou esse valor foi o Bradesco, que doou R$ 49,6 milhões.
O BTG doou R$ 6,25 milhões à campanha presidencial que reelegeu Dilma Rousseff, mas fez também doações aos adversários da petista. O banco repassou R$ 5,01 milhões à campanha presidencial do PSDB, cujo candidato foi o senador Aécio Neves.
O banqueiro sempre circulou com desenvoltura entre políticos e participou de eventos com tucanos e petistas.
FOTO: André Dusek/EC


