Serviços: confiança cresce 0,5 ponto em fevereiro
O índice de confiança retorna ao nível do início de 2015, apoiado nas expectativas e reforçando a ideia de uma transição lenta para uma fase de retomada do crescimento, informa a FGV

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 0,5 ponto na passagem de janeiro para fevereiro, para 80,9 pontos, na série com ajuste sazonal, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na manhã desta sexta-feira (24/02).
"Os indicadores de fevereiro confirmam a melhora no ânimo das empresas de serviços neste início de ano. A consistente queda da inflação e o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, associados às perspectivas de implementação de reformas que abram caminho para o ajuste das contas públicas, devem estar atuando para a contínua melhora na percepção empresarial sobre o rumo dos negócios", avaliou o economista Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.
Houve melhora da confiança em sete das 13 principais atividades pesquisadas. O Índice de Expectativas (IE-S) subiu 1,9 ponto, para 88,5 pontos, o maior nível desde outubro de 2014.
Mas o Índice de Situação Atual (ISA-S) caiu 0,8 ponto, para 73,5 pontos, após ter subido 4,7 pontos em janeiro.
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"O índice de confiança retorna ao nível do início de 2015, mas segue bastante apoiado nas expectativas, reforçando a ideia de uma transição lenta para uma fase de retomada do crescimento da atividade real do setor", completou Sales.
A maior contribuição para a variação do ISA-S no mês foi dada pelo indicador de percepção com a Situação Atual dos Negócios, com queda de 1,0 ponto.
Entre os indicadores integrantes do IE-S, o destaque positivo foi o de Demanda Prevista, que cresceu 3,3 pontos.
Na sondagem de fevereiro, o indicador de Emprego Previsto subiu 0,6 ponto, alcançando 93,7 pontos.
Entre as 1.897 empresas consultadas, 12,4% planejam contratar nos próximos três meses, enquanto 18,2% afirmam que irão reduzir o quadro de pessoal.
O setor de serviços apresenta o maior valor adicionado na economia brasileira e também é o que mais emprega.
O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) do setor de serviços recuou 0,2 ponto porcentual em fevereiro, para 82,1%. A coleta de dados para a edição de fevereiro da sondagem foi realizada entre os dias 1º e 22 deste mês.
INDÚSTRIA
O Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas, recuou 1,2 ponto em fevereiro, atingindo o total de 87,8 pontos. No mês anterior, o índice havia avançado 4,3 pontos. No trimestre, o índice subiu 0,5 ponto, totalizando 87,2 pontos.
A queda da confiança ocorreu em cinco dos 19 segmentos industriais pesquisados. Após subir 4,7 pontos em janeiro, o Índice de Expectativas recuou 1,7 ponto em fevereiro, atingindo 89,3 pontos.
A principal contribuição para a piora da expectativa partiu do quesito que capta as previsões para a produção nos três meses seguintes. O indicador caiu 2 pontos em fevereiro, atingindo 88,7 pontos, o menor nível desde maio de 2016.
O Índice da Situação Atual recuou 0,6 ponto, chegando a 86,4 pontos. O nível de demanda atual exerceu a maior contribuição para a diminuição desse índice. O indicador caiu 2,3 pontos em fevereiro, para 82,9 pontos.
O percentual de empresas que avaliam o nível de demanda como forte passou de 6,3% para 5,9% do total; o das que o consideram fraco aumentou de 31,3% para 38,7%.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada diminuiu 0,3 ponto percentual em fevereiro, totalizando 74,3%. No trimestre, o índice subiu 0,2 ponto percentual, chegando a 73,9%.
Para Aloisio Campelo Junior, superintendente de Estatísticas Públicas da FGV, a queda do Índice da Confiança em fevereiro, após a alta expressiva de janeiro, mostra um movimento de acomodação.
Para ele, o cenário econômico traz notícias favoráveis à atividade, como a queda de juros e a injeção de recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no mercado. Isso pode levar a uma elevação da confiança nos próximos meses.
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