Setor automotivo registra o pior resultado desde 2007
As vendas de veículos novos recuaram quase 40% em janeiro, na comparação com igual mês de 2015

Depois de ter terminado 2015 com a terceira queda seguida nas vendas, o mercado brasileiro de veículos novos começou 2016 com o pior de janeiro desde 2007, mostram dados divulgados nesta segunda-feira (1º/02) pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Foram 155.300 unidades vendidas no mês passado, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume representa retração de 38,81% em relação a janeiro de 2015 e baixa de 31,82% ante dezembro.
Por segmento, os emplacamentos de automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 149.699 unidades, queda de 38,62% em comparação com janeiro do ano passado e tombo de 32,15% em relação ao volume de dezembro. Só os automóveis atingiram 131.272 emplacamentos em janeiro deste ano, baixa de 36,33% sobre igual mês de 2015 e retração de 32,05% ante dezembro.
A venda de comerciais leves, por sua vez, registrou 18.427 unidades, queda de 51,15% ante janeiro do ano passado e baixa de 32,84% sobre o último mês de 2015.
Entre os pesados, os caminhões somaram 4.348 unidades vendidas, o menor nível da série histórica da Fenabrave, que compila os dados desde 2002.
O volume representa queda de 43,36% em relação a janeiro de 2015 e baixa de 22,05% em comparação com dezembro de 2015. No caso dos ônibus, as vendas atingiram 1.253 unidades, declínio de 43,79% ante janeiro do ano passado e tombo de 19,47% em comparação com o mês anterior.
As fortes baixas logo no começo do ano representam um mau sinal para as entidades representativas do setor automotivo. No fim do ano passado, a Fenabrave divulgou que sua previsão para 2016 é de uma queda de 5,8% em relação ao patamar de 2015, bem abaixo das retrações verificadas já em janeiro.
No caso da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a projeção é de 7,5%. Em 2015, as vendas recuaram 26,5%, o maior declínio desde 1987 e o terceiro seguido na comparação anual, segundo a Fenabrave.
ESTÍMULO
O setor automotivo tem dialogado com o governo para tentar viabilizar o que vem sendo chamado de programa de renovação de frota veicular. A ideia é que veículos com mais de 20 anos de circulação possam ser trocados por uma carta de crédito, que seria uma espécie de garantia a ser oferecida durante a aquisição de um veículo novo.
Como o valor de carros com mais de 20 anos normalmente é baixo, há dúvidas se o crédito gerado por eles seria aceito como entrada para um outro mais novo. Aqui entraria a necessidade de dinheiro do governo. A obtenção de recursos para subsidiar a transação viria da venda de carcaças de carros retidos nos pátios públicos.

