Shitake: Um negócio que brota no interior de São Paulo

Principal produtor nacional desse tipo de cogumelo, o Estado reúne o maior número de pequenos produtores do Brasil, que se declaram satisfeitos com o retorno do investimento

Mariana Missiaggia
26/Dez/2016
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Shitake: Um negócio que brota no interior de São Paulo

Na lista de alimentos saudáveis e que melhoram a imunidade, o cogumelo shitake desponta entre as primeiras posições.

Mesmo introduzido há pouco tempo no cardápio dos brasileiros, o fungo já é considerado um queridinho não apenas de quem o consome, mas também de quem o produz.

Vendidos em bandejas de 200 gramas a um valor médio de R$ 16, esses cogumelos agora podem ser encontrados facilmente nas prateleiras de qualquer supermercado.

O estado de São Paulo detém aproximadamente 90% da produção nacional de shitake. O outro é que à medida que o produto é ofertado dentro das lojas, aumenta-se a demanda.

A explicação é de Francisco Soriani, 65 anos, um dos responsáveis pela oferta do item em terras brasileiras.

Há 15 anos, Soriani decidiu abandonar a carreira de publicitário em São Paulo, e se mudou com a mulher, Mariane Collete, para um sítio em Juquitiba, a 74 quilômetros da capital.

SORIANI E MARIANE DEIXARAM OS EMPREGOS NA CAPITAL PARA SE DEDICAR AOS SHITAKES

Em busca de algum tipo de cultivo com boa rentabilidade para sustentar seu novo estilo de vida, Soriani foi atraído pelo fungo depois de conhecer mais sobre o assunto com um especialista.

Na época o ex-publicitário aprendeu detalhes da cultura como o fato de que é produzido em toras de eucalipto, e que é preciso umidade e pouca luz para seu desenvolvimento.

Com o investimento de R$ 30 mil, Soriani deu início ao manejo de maneira simples, apenas com a ajuda da esposa.

Na época, o produto só era encontrado em restaurantes orientais ou em algumas lojas especializadas nos grandes centros urbanos de São Paulo e Rio de Janeiro.

Com o passar dos anos, a popularização dos pratos japoneses e a indicação de nutricionistas como um alimento de alto valor nutricional e de baixa caloria fizeram as redes de supermercado enxergá-lo como um produto bem comercial.

Estima-se que o brasileiro consome cerca de 300 gramas de cogumelo shitake e shimeji por ano. Um valor inexpressivo se comparado a média europeia, de dois quilos.

BOM INVESTIMENTO

Na grande maioria, o cultivo nacional ainda é considerado muito rústico e caseiro, mas Soriani acredita que o cenário que deve mudar nos próximos anos, de acordo com Soriani.

Enquanto a produção mundial cresce na ordem de 3%, a brasileira evolui 7,1% ao ano, de acordo com a ANPC (Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos).

Foi o que ocorreu com Soriani. Ao perceber que tratava-se de um nicho ainda pouco explorado e de um mercado com muito potencial, ele decidiu investir mais.

"O que era bom, poderia ficar ainda melhor se eu aumentasse a minha produção". 

SORIANI PASSOU A REALIZAR O CULTIVO AXÊNICO

Para produzir em larga escala e preservar a qualidade do cogumelo que produz, Soriani foi desvendar os segredos do cultivo axênico, considerado bem inovador.

Feita em blocos de substrato enriquecido, com serragem, bagaço de cana-de-açúcar e farelos de trigo, essa é a alternativa de cultivo mais profissional que existe para o fungo.

Apesar do alto custo de instalação -no caso do empresário, R$ 300 mil-, para a contrução de um galpão e compra de maquinário, o formato permite um custo de produção mais baixo e frutificação mais rápida.

O cogumelo produzido em blocos está bom para colheita em 80 dias, enquanto a produção em toras leva 300 dias.

Hoje, ele produz 1,5 tonelada de shitakes por mês e emprega nove funcionários no negócio, que também conta com a ajuda de seus dois filhos, que moram em Cotia, e deixaram para trás o trabalho com carteira assinada para investir na agricultura familiar.

Diferente da maioria dos outros produtores, Soriani não atende o consumidor final e tem como cliente fiel há 15 anos, o distribuidor Kaol Nagasawa.

"Prefiro assim. Vendo e recebo. Sou um pequeno produtor e prefiro evitar a burocracia de grandes estabelecimentos", diz.

De acordo com o empresário, esse tipo de cogumelo começou a ser cultivado no Brasil há três décadas, e é considerado um dos produtos agrícolas mais rentáveis.

Ainda não há dados formais sobre quantos e quem são os responsáveis pelo aumento da oferta do produto nos supermercados e restaurantes.

SORIANI REUNIDO COM GRUPO DE PEQUENOS PRODUTORES DE SHITAKE

Em Juquitiba, Soriani conhece outros 23 produtores do cogumelo japonês. Piedade, Mogi das Cruzes e Campos do Jordão são outras cidades do interior do Estado, onde também há um movimento grande nesse sentido.

Sem revelar quanto fatura com o negócio, Soriani afirma que não se arrepende da escolha, e que só pensaria em se arriscar novamente por um cultivo até então, inédito no Brasil, as supervalorizadas trufas.

"Todos os anos viajo à Itália com o desejo de aprender mais, e quem sabe me tornar o primeiro produtor brasileiro de trufas".

*FOTO: Thinkstock

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