Shopping Light cresce com modelo de outlet no Centro de São Paulo
Marcas como Nike, Adidas, Lacoste e NBA Store já ocupam 55% da área do centro comercial que, neste ano, sentiu o fluxo de pessoas crescer 16% e o faturamento 28% sobre 2023

Em qualquer lugar do mundo e também no Brasil, quando se fala em outlet o consumidor já se pensa em um local mais afastado de bairros e centros de cidades.
Até porque o conceito de outlet é vender mais barato do que as lojas tradicionais e, para isso, as regiões onde eles estão localizados também precisam ter um custo menor.
Porém, há um shopping no Brasil que está indo na contramão desta ideia e expandindo o modelo de outlet justamente no Centro da maior capital do país: São Paulo.
Colado ao viaduto do Chá, na rua Cel. Xavier de Toledo, 23, o Shopping Light já conta com 40% da ABL (Área Bruta Locável) destinados a outlets, e planos de chegar a 70% brevemente.
Tudo começou com a instalação da loja da Nike há uns 15 anos. Depois, vieram outras marcas, como Adidas, Puma, Lacoste, Fila, Vans, Calvin Klein, Carmen Steffens, NBA Store.
O Shopping Light, que pertence ao grupo Gazit desde 2015, informa que vem mais por aí. “Estamos concentrados na área esportiva, mas queremos ampliar os outlets de marcas para o público feminino”, afirma o superintendente Elquisson Lima Silva.
E todo o esforço para ter grandes marcas mundiais e nacionais com preços mais baratos faz sentido: a performance de outlets, diz, é melhor do que a de lojas tradicionais.
Localizadas num mesmo piso, uma próxima da outra, uma loja no modelo outlet da Puma, diz, consegue faturar quatro vezes mais do que uma tradicional da Youcom, por exemplo.
O modelo de trazer outlet para o Centro de São Paulo tem dado resultado como pode ser visto em pelo menos dois indicadores: fluxo de pessoas e faturamento, de acordo com Silva.
Hoje, a média diária de visitantes, de 25 mil pessoas, é 16% maior do que a de igual período do ano passado. Já o faturamento, da ordem de R$ 40 milhões por mês, é 28% maior. “Os brasileiros não compram mais fora do Brasil como antigamente, e a pandemia levou o consumidor a correr mais atrás de preço”, afirma o superintendente do Light.
Um outlet no centro da cidade, diz ele, tem tudo a ver com a própria percepção do consumidor de que é justamente nos centros das cidades onde estão os melhores preços. O desconto nos outlets do Light é da ordem de 30%, em média, diz, mas têm produtos com redução de preços de até 70%.
Hoje, de acordo com Silva, já tem marcas produzindo para vender somente em outlets, que também comercializam lançamentos com preços de lojas tradicionais. “A loja da Nike do Light, por exemplo, vai ter um tênis que acabou de ser lançado. Só que este não é o foco de venda do estabelecimento”, diz.
EXPANSÃO CONTÍNUA
Além de ampliar o modelo de outlet, o Light decidiu expandir o setor de gastronomia, que representa hoje cerca de 25% do faturamento do centro comercial.No início do ano passado, essa participação era de 5%. De abril de 2023 até agora, entraram no shopping as redes Pecorino, Outback, Casa Bauducco, Sodiê Doces, Bullguer e outros.
Neste momento, o shopping negocia um espaço de 200 metros quadrados no térreo, com vista para o Teatro Municipal de São Paulo, onde funcionava até recentemente o Tatuzinho Bar. “Queremos um operador de bar com música ao vivo, que já tenha alguma experiência em shopping center. O estabelecimento pode usar parte do calçadão”, diz.
Existe uma percepção entre os paulistanos de que a região do Centro de São Paulo não é segura, o que é um engano, na avaliação de Silva. “A região do Centro tem sido monitorada e os índices de furtos e roubos são muito menores do que os de outras regiões, como Vila Madalena, Vila Olímpia.”
A consequência é que o índice de ocupação do shopping, que era de 88% em janeiro do ano passado, diz, subiu para 95% neste ano, percentual que deve chegar a 98% em 2025.
Além do foco em outlets e o fato de a região central estar mais segura, diz, o que também tem ajudado a aumentar o número de pessoas no shopping são os tais influencers de moda.
Do início do ano até agora, o Light contratou cerca de 20 influencers, cada um com uns 100 mil, 150 mil seguidores, para mostrar looks e ou espaços para frequentar no centro comercial. Esses considerados microinfluencers ganham de R$ 1 mil a R$ 10 mil, o que inclui um vídeo e mais três postagens em seus stories no Instagram.
Com este trabalho em mídias socias, que demandou investimentos de R$ 100 mil neste ano, o Light teve mais de 10 milhões de visualizações entre o próprio Instagram e os dos influencers. “Não tem jeito, hoje em dia o varejo tem de estar em mídia digital”, diz.
Com 130 lojas espalhadas em 20 mil metros quadrados de ABL, o Shopping Light tem hoje cerca de 14 espaços para locação, com tamanho médio entre 60 e 70 metros quadrados cada.
Os preços do aluguel variam de acordo com a localização do espaço. No andar térreo, por exemplo, é mais caro porque tem maior fluxo de pessoas.
Silva diz que o shopping não tem interesse em trazer outlet de marcas de luxo, como Gucci, Chanel, pois o público que frequenta o local está mais concentrado na classe B.
O shopping quer manter uma taxa de vacância da ordem de 2% para ter espaço para trazer sempre novidades para os frequentadores. Hoje é de 5%.
PRÉDIO HISTÓRICO
Localizado em uma das esquinas mais movimentadas da cidade, em frente ao Teatro Municipal, ao antigo prédio do Mappin e em uma das extremidades do Viaduto do Chá com vista para o Vale do Anhangabaú, o Shopping Light está localizado no edifício Alexander Mackenzie.
Tombado pelo Patrimônio Histórico, o prédio foi sede da distribuidora de energia elétrica São Paulo Tramway Light & Power Company, popularmente conhecida como 'Light', a partir de 1929. Posteriormente, o imóvel sediou a antiga estatal Eletropaulo e, em 1999, após passar por reforma e restauração, passou a abrigar o atual centro de compras.
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