Taxa de juros Selic continua em 14,25% ao ano

Em decisão unânime, Copom mantém juros no mesmo patamar porque a inflação continua elevada em 12 meses

Redação DC
08/Jun/2016
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Taxa de juros Selic continua em 14,25% ao ano

Pela sétima vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira (08/06) a taxa Selic em 14,25% ao ano. 

Essa foi a última reunião do Copom comandada por Alexandre Tombini, que deverá assumir o posto de representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Em nota, o Comitê informou que "reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária."

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), avalia que a decisão foi acertada e é explicada pelo fato de que a inflação, apesar de estar desacelerando, continua muito elevada, bem acima da meta anual oficial. 

Segundo Burti, o grave momento econômico vivido pelo país demanda reduzir as taxas de juros o mais rapidamente possível, mas, para isso, o ajuste fiscal não pode ser mais protelado e deve se concentrar no corte de despesas públicas e na sinalização de reformas, como a da Previdência, que visem a garantir a solvência futura das contas públicas.

“Não se deve recorrer ao expediente de aumentar ou criar novos impostos porque isso somente aprofundaria a contração da economia", afirma o presidente da ACSP.

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com a participação do presidente Alexandre Tombini apresentou tudo dentro do script previsto pelo mercado financeiro.

Com isso, Tombini entrega a Selic no maior patamar de toda sua gestão, em um dos piores momentos da história da economia brasileira, como definiu esta semana o futuro presidente da instituição.

O atual comandante do BC chegou a administrar uma taxa de 7,25% ao ano de outubro de 2013 a março de 2013, o que foi alvo de muitas críticas, pois especialistas argumentavam que o Brasil não tinha condições econômicas para apresentar juros nesse patamar.

O comunicado sobre a decisão foi idêntico ao anterior, de abril. De acordo com o BC, o nível elevado da inflação em 12 meses e as expectativas distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para a flexibilização da política monetária. Ao mesmo tempo, o comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação.

Mais detalhes sobre o que levou os diretores a definirem pela estabilidade serão conhecidos na ata da reunião que a instituição divulgará na quinta-feira da semana que vem. O próximo encontro, marcado para 19 e 20 de julho, já será coordenado pelo economista Ilan Goldfajn, que recebeu na terça-feira aval do Senado para comandar a instituição.

Na sabatina feita por parlamentares, o então executivo do setor financeiro defendeu de forma veemente o regime de câmbio flutuante e o ajuste das contas públicas e prometeu entregar a inflação na meta mesmo sem indicar prazos.

Nas palavras de Goldfajn: "O velho e bom tripé macroeconômico". Se levar o IPCA para perto de 4,50%, conseguirá um feito que o atual presidente não conseguiu entregar em nenhum ano à frente da autarquia.

Na "era Tombini", que é membro do Copom há exatamente 11 anos, o índice mais baixo foi em 2012, de 5,84%. Este ano, inclusive, teve de justificar formalmente o estouro do teto da meta de 6,50% do ano passado, já que o IPCA chegou a 10,67%.

Em parte, a tarefa de apresentar índices mais baixos foi prejudicada pela própria percepção do mercado de que a cúpula do BC toma decisões de acordo com as diretrizes do Palácio do Planalto. A credibilidade da instituição foi colocada em xeque em vários momentos e chegou a ser um dos grandes temas de debate na campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff.

O que se espera a partir de agora é que o Copom mude seu modo de agir. A decisão desta quarta-feira, (08/06) a sétima vez consecutiva em que o patamar dos juros é mantido, já teve de levar em conta que o IPCA de maio subiu 0,78%, acima das expectativas, e que o dólar derreteu, fechando a R$ 3,3689, o menor patamar desde 29 de julho do ano passado. Esse comportamento, argumentaram operadores, se deveu justamente à defesa do câmbio flutuante feita na véspera por Goldfajn.

FOTO: Thinkstock

Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

Atualizado às 20h45

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