Temer já possui um desenho de ministros formado na cabeça
Vice-presidente tem sido cauteloso para não antecipar quais ministérios deverão ser distribuídos entre os partidos

Em conversas com líderes partidários que têm aderido ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer tem prometido "espaço" para as legendas num futuro governo dele.
O vice tem tido, segundo relatos, cautela para não antecipar quais ministérios deverão ser distribuídos entre os partidos que deverão formar um novo governo de "coalizão".
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Nesta sexta-feira (15/04), foi a vez de o vice receber integrantes da bancada do Solidariedade, partido de oposição ao governo Dilma, além de peemedebistas mais próximos de seu núcleo.
"Ele já tem um desenho formado na cabeça, mas não está tratando disso. Seria muito precipitado", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo, Geddel Vieira Lima, primeiro secretário do PMDB e integrante do grupo mais próximo de Temer.
Integrantes do partido que têm frequentado o Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência, dizem que têm também orientado Temer a não dar início às negociações antes do desfecho do processo de impeachment no Senado.
"Não é momento para tratar do assunto. Começaria a criar vários ruídos entre os partidos que irão compor o governo do Michel", afirmou um integrantes da cúpula do PMDB do Senado.
CIRCULANDO
Na reta final da votação do processo de impeachment na Câmara, Temer aproveitou a festa de aniversário da filha do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) para "circular", na noite de quinta-feira (14/03), entre representantes de vários partidos da "base aliada" e da oposição.
O jantar, realizado no Lago Sul, área sofisticada de Brasília, contou com a presença do vice e de integrantes de PMDB, PP, PR, PSB e DEM. Entre 70 a 80 convidados participaram das comemorações realizadas no mesmo dia em que a contagem de votos a favor do impeachment apontava maioria pela aprovação.
Temer chegou ao local por volta das 22h, acompanhado de Geddel. Durante quase uma hora em que ficou no local, o vice falou com praticamente todos políticos que estavam na festa.
"O clima foi de alto astral, bastante festivo. Tinha muita gente e foi um bom momento para o Michel circular. Mas como tinha muita gente, ficou impossível ter qualquer conversa mais profunda", afirmou o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que passou parte da noite na mesma mesa do vice.
Nas rodinhas formadas pelos parlamentares, de acordo com Jarbas, o mote foi a contagem e recontagem dos votos do impeachment.
"A coisa girou muito em torno de placar. Tinhas alguns mais otimistas outros nem tanto. Uns terceiros defendendo que era preciso ficar atentos e por ai foi", disse.
Um dia após anunciar que o PP votaria a favor do impeachment, o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), se reuniu com o vice. As movimentações do senador têm sido, contudo, criticadas por lideranças do PMDB.
"Ele tem tomado café da manhã com a Dilma, almoçado com Temer e jantado com o Renan Calheiros. Três conversas diferentes.
Não dá para confiar numa pessoa dessas", disse um integrante da cúpula do PMDB. Representantes de outras legendas da base como o PSD e o PR também têm intensificado o corpo a corpo com o vice. Ontem foi a vez do PSC.
'É MENTIRA'
A um dia da votação do impeachment, o vice-presidente Michel Temer usou uma rede social, na manhã deste sábado (16/04), para desmentir que irá acabar com programas sociais, como o Bolsa Família, caso ele assuma o governo.
"Leio hoje (sábado) nos jornais as acusações de que acabarei com o Bolsa Família. Falso. Mentira rasteira. Manterei todos programas sociais", escreveu em sua conta pessoal no Twitter, por volta das 7h30.
Temer voltou a Brasília na noite de sexta-feira (15/04), alterando seu plano inicial de passar o fim de semana em São Paulo. O vice-presidente marcou uma reunião de trabalho às 12h, no Palácio do Jaburu.
Apesar de seus aliados demonstrarem confiança na vitória do impeachment, ainda há o receio de que o governo possa evitar os 342 votos em favor do impedimento.
A notícia de que três deputados do PP voltaram atrás na decisão de apoiar o impeachment acionou o alerta no grupo de Temer. Ainda assim, o ex-ministro Eliseu Padilha, que integra o núcleo duro do vice, classificou como "piada" a suposta reação.
Também numa conta de rede social, Padilha ressaltou o pedido de demissão do presidente do PSD, Gilberto Kassab, do Ministério das Cidades.
Foto: Estadão Conteúdo

