Temer pede apoio a empresários, que pedem menos impostos
O presidente interino recebeu empresários para debater os caminhos para o crescimento do país. A taxa de juros e a escassez do crédito ocuparam a pauta

O presidente em exercício Michel Temer se reuniu com empresários nesta quarta-feira, 8/06, para falar sobre os rumos do seu governo. Ele pediu apoio aos empresários. "Se os senhores se dispuseram a vir até aqui é porque estão interessados no Brasil e querem que o País cresça", afirmou.
O presidente interino disse à comitiva que não teve mais de oito dias após a admissibilidade do processo de impeachment para organizar o governo e que, ao assumir, muitos dados mostraram-se preocupantes. "No caso do déficit, o que era preocupante tornou-se extremamente preocupante."
Do outro lado, as manifestações dos empresários destacaram a preocupação com o aumento de impostos. Presente ao encontro, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a carga tributária é alta e o governo não vai resolver a situação fiscal se decidir elevar impostos.
"Aumentar impostos no momento em que empresas estão feridas significará aumentar a inadimplência", disse, argumentando que há outros caminhos para buscar receitas.
O presidente da Fiesp também classificou a taxa básica de juros vigente no Brasil, de 14,25% ao ano, de absurda, e sugeriu que a Selic seja reduzida. No final da noite desta quarta-feira a taxa seria mantida nesse mesmo patamar pelo Copom.
A presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhes, disse que não houve pedidos específicos para cada setor, mas sim uma agenda horizontal.
Ela destacou que o setor privado pediu redução dos juros e irrigação do mercado de crédito. "Não temos como fazer programas de estímulo à demanda com juros a 14,25%", disse. "No caso do crédito, há liquidez, mas não há disponibilidade.”.
Ao ser questionada se cortar juros e aumentar o crédito não seria a mesma receita adotada pelo governo anterior e que resultou em alguns dos problemas enfrentados atualmente, a executiva do Ibá disse tratar-se de ações emergenciais.
"Não há como parar a rota de desemprego se não houver consumo. A única maneira de se recuperar a economia é gerar consumo", disse.
Ela também afirmou que não houve um compromisso formal por parte do governo de não aumentar impostos, mas disse acreditar que a equipe econômica sabe que o problema fiscal terá de ser resolvido como nas empresas, com ganho de eficiência e corte de gastos.
IMAGEM: Agência Brasil

