Tudo que ainda precisa ser feito nas telecomunicações
Quase nada do que foi sugerido em nosso artigo de 2010 foi reconhecido como prioridade na gestão da Presidente Dilma Rousseff, ao longo dos últimos quatro anos. Façamos, então, a revisão de cada uma daquelas demandas com o objetivo de atualizá-las e oferecê-las à consideração do novo Presidente da República.
1. Revisão do modelo institucional. Essa ainda é a primeira entre as medidas sugeridas ao novo Presidente da República. Aliás, já em 2010 esse o aspecto era, de longe, o mais relevante entre os 11 pontos sugeridos. Esse aspecto, entretanto, não recebeu praticamente nenhuma atenção do governo Dilma Rousseff. Por isso, esperamos que o novo governo reveja e aprimore“ a legislação e o modelo institucional privatizado das Comunicações como um todo, harmonizando-o e promovendo seu ordenamento jurídico, sem desfigurá-lo”.
A rigor, ainda persiste um abismo legislativo entre telecomunicações e comunicação de massa – em especial a Radiodifusão, que abrange as emissoras de rádio e de TV aberta, até porque a legislação que rege a Radiodifusão brasileira se resume a um capítulo da Lei 4.117, de 1962 (mais do que cinquentenária), conhecida pelo nome de Código Brasileiro de Telecomunicações.
Até a lei relativamente mais recente e moderna, que rege telefonia e as telecomunicações – Lei Geral de Telecomunicações (LGT), de no 9.472, de 16 de julho de 1997– necessita de atualização em diversos pontos, em especial depois do advento da internet e do impacto e das implicações das Redes Sociais, da mobilidade, da Computação em Nuvem e de fenômenos como o Big Data na vida econômica, social e cultural do País.
2. Estimular o investimento privado. Como fizemos em 2010, reiteramos a sugestão de que o novo governo confira maior estímulo, tanto ao investimento privado no setor, bem como à atração de novas operadoras de modo a ampliar a competição na área de serviços.
3. Desoneração tributária. Há quatro anos, sugerimos ao novo governo que reduzisse significativamente a absurda carga tributária de 43% (média nacional) que onera diretamente todos os serviços de telecomunicações, inclusive os novos serviços, como os de acesso à internet em banda larga. Embora o governo Dilma Rousseff tenha reconhecido o problema, a única medida concreta foi a redução dos tributos federais (PIS/PASEP) incidentes sobre os serviços de banda larga, que representam menos de 10% do total de tributos que oneram os serviços). Nada foi feito na área dos tributos estaduais, como ICMS, maior parcela da tributação, com a alíquota de 33% sobre o valor dos serviços.
4. Profissionalizar e fortalecer a Anatel. Eis aí um aspecto positivo do governo que se encerra. Sugerimos, entretanto, que seja aprofundado nos próximos quatro anos. Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) precisa ser preservada de interferências político-partidárias.
5. Acelerar a inclusão digital. Ao longo dos últimos quatro o anos, quase nada foi feito em âmbito governamental nessa área. Sugerimos, portanto, que o novo governo formule políticas públicas e crie condições para a inclusão digital, a começar da elaboração de um novo Plano Nacional de Ban- da Larga muito mais ambicioso e baseado em parcerias público-privadas (PPP).
6. Fortalecer a indústria nacional. A indústria brasileira vive um longo período de total retrocesso, inclusive na produção de celulares para exportação, em decorrência da queda contínua de competitividade de nossa economia. Reiteramos a necessidade desse fortalecimento sem qualquer protecionismo ou reserva de mercado, mas, a partir de estímulos de ordem fiscal e forte incentivo à pesquisa e à formação de recursos humanos altamente qualificados.
7. Aprimorar a qualidade dos serviços. Embora esse ponto tenha merecido boa atenção do Ministério das Comunicações e
da Anatel, julgamos que deva ser aprimorado ainda mais, com maior atenção aos padrões de atendimento do usuário. Ao longo dos últimos quatro anos, o País iniciou o processo de avaliação da qualidade dos serviços. Os cortes radicais do orça- mento da agência reguladora, entretanto, impediram sua ampliação, além de não permitirem maior fiscalização da ação das prestadoras de serviço.
8. A escolha de ministro competente. No período 2010-2014, o governo escolheu, sem dúvida, um ministro das Comunicações competente e comprometido com o desenvolvimento setorial. Seu trabalho, no entanto, não obteve os melhores resultados porque as demais condições e pontos sugeridos em 2010 não se concretizaram, diante da baixa prioridade das Comunicações nas políticas do governo federal.
9. A inutilidade da Telebrás. Como o fizemos em 2010, reiteramos que o novo Presidente da República reveja a anacrônica reativação da Telebrás – que, praticamente, nada tem feito em favor da democratização da banda larga no País.
10. Papel regulador e fiscalizador do Estado. Reiteremos, por fim, esta última sugestão oferecida em 2010 que não mereceu a devida a atenção do governo federal nos últimos quatro anos.

