Um terço das empresas de serviço aponta queda na demanda

Deterioração do mercado de trabalho enfraquece renda e prejudica os prognósticos para o setor

Estadão Conteúdo
28/Jul/2015
  • btn-whatsapp
Um terço das empresas de serviço aponta queda na demanda

O número de empresários do setor de serviços que reclamam de demanda insuficiente atingiu um recorde em julho. Mais de um terço apontou esse fator como uma limitação à melhora dos negócios – no setor de alojamento, mais de dois terços citaram o problema. Além disso, a quantidade de empresas que esperam redução na demanda nos próximos três meses aumentou e agora supera a fatia das que contam com vendas maiores no futuro.

Após depositarem as esperanças no segundo semestre, os empresários do setor de serviços mostraram-se frustrados pela rápida deterioração do mercado de trabalho brasileiro. Isso afundou as expectativas e contribuiu para a queda de 2,9% na confiança da atividade em julho, explicou nesta terça-feira (28/07), o economista Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e responsável pela Sondagem de Serviços.

LEIA MAIS: Como a Via Varejo está lidando com a queda nas vendas

Com o resultado anunciado hoje, o indicador atingiu, mais uma vez, o mínimo histórico da série, iniciada em junho de 2008. "Três meses atrás, a percepção relativamente mais positiva era alimentada por expectativas, mas isso não se confirmou", disse o economista. "À medida que (os empresários) sentem as informações quantitativas apuradas, eles refazem previsões para um ambiente um pouco pior do que antes", diz. “Entre os fatores que vêm afetando negativamente os serviços estão o enfraquecimento do mercado de trabalho - e a consequente queda da massa de salário -, a redução da demanda empresarial, a alta da inflação e a diminuição da confiança do consumidor", acrescenta 

A rápida deterioração no mercado de trabalho também contribui para a nova onda de pessimismo. Só em julho, as expectativas pioraram 7,1%, segundo a FGV. No mês passado, os outros serviços (que incluem serviços pessoais como cabeleireiro) demitiram 114 mil pessoas nas seis principais regiões metropolitanas do País em relação a junho de 2014. No total, 298 mil pessoas perderam seus empregos no período, e a taxa de desemprego foi a 6,9%, a maior desde junho de 2010, de acordo com o IBGE.

Menos brasileiros empregados significa menos renda circulando e disponível para adquirir serviços. "O desaquecimento do mercado de trabalho chegou com muita força, e isso pode estar influenciando as expectativas. Isso (ajuste no emprego) mexe com propensão de consumo, principalmente de serviços", explicou Sales.

Não é por acaso que a previsão de demanda para os próximos três meses atingiu um mínimo histórico. Ao todo, 20,6% das empresas esperam redução no volume de vendas no período, enquanto 19,0% projetam aumento. É a segunda vez na história da sondagem em que pessimistas superam o número de otimistas.

Só que a percepção ruim sobre as vendas retroalimenta o movimento no mercado de trabalho. Em julho, 26,5% dos empresários declararam que vão demitir nos próximos três meses, o maior porcentual já registrado na série. "Sem dúvida haverá queda real no volume de serviços este ano", afirmou Sales.

EXPANSÃO COMPROMETIDA

Em julho, 39,1% dos empresários apontaram que a demanda atual é insuficiente para expandir os negócios, um registro recorde. O setor de alojamento registrou quase o dobro de respostas, somando 67,4% do total. O custo financeiro também está na lista de preocupações das empresas de serviços.

Por outro lado, o indicador de volume de demanda atual ainda assim subiu 3,5% em julho ante junho. Também houve aumento de 6,0% no indicador de situação atual dos negócios. Com isso, o Índice de Situação Atual (ISA) de serviços avançou 4,8% este mês, após queda de 8,0% em junho.

Mas a perspectiva não é animadora. O indicador que capta a expectativa com a evolução da demanda nos três meses seguintes recuou 7,7% ante junho, e o que mede a expectativa com a evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes caiu 6,5%. Com isso, o Índice de Expectativas (IE) caiu 7,1% neste mês.

Segundo a FGV, a proporção de empresas esperando aumento da demanda nos próximos três meses passou de 24,0% no mês passado para 19,0% do total em junho. Enquanto isso, a parcela das que esperam redução aumentou de 17,4% para 20,6% no período.

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada