Varejo deve continuar perdendo faturamento neste ano

O ritmo de queda vai continuar até que seja encontrado um ponto de equilíbrio do varejo

Estadão Conteúdo
12/Ago/2015
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Varejo deve continuar perdendo faturamento neste ano

O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, avalia que o processo de retração do varejo deve continuar por alguns meses. Isso porque não há clareza nos fundamentos para uma sustentação e recuperação do consumo. "O ritmo de queda vai continuar até que seja encontrado um ponto de equilíbrio do varejo com a situação econômica e atividade industrial atual", disse.

Para ele, os dois fatores que influenciam diretamente o comércio varejista – emprego e crédito – tendem a continuar se deteriorando. "O efeito das altas da taxa básica de juros (Selic) seguirá no segundo semestre. A taxa de desempenho está subindo rápido e não está perdendo fôlego", destacou. "Na verdade, tudo está acontecendo fortemente e de maneira drástica. E o varejo não ficaria de fora", completou.

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Conforme o especialista, com esse cenário adverso, a GO Associados espera uma queda de 2,7% no PIB (Produto Interno Bruto) nacional este ano e um recuo de 2% a 2,5% nas vendas do comércio varejista.

VAREJO DE ELETRODOMÉSTICOS TEM DESAFIO DOBRADO

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, acredita que o resultado do varejo brasileiro em junho confirma um cenário de desaceleração do consumo que já era visível no início do ano e tende a se manter no que resta de 2015, dado o quadro de deterioração do mercado de trabalho e do crédito.

"A gente tem um desempenho ruim mais ou menos generalizado (entre os setores do varejo)", disse. No acumulado dos últimos 12 meses, ela destaca as quedas expressivas de equipamentos e material para escritório, de 9,1%, e de móveis e eletrodomésticos, de 7,1%. Segundo a economista, essas categorias enfrentam um duplo desafio.

Por um lado têm uma base de comparação forte, pois foram beneficiadas com a Copa do Mundo do ano passado, e por outro sofrem com a queda de demanda em função da crise, já que, como não se trata de produtos essenciais, a intenção de consumo cai em maior velocidade.

De acordo com Thais, tanto equipamentos e material para escritório como móveis e eletrodomésticos seguirão sofrendo bastante nos próximos meses, assim como veículos e material de construção. No geral, ela projeta continuidade da trajetória de desaceleração do varejo em 2015, mas com quedas não tão expressivas na margem, assim como ocorreu em junho. Conforme o IBGE, as vendas no varejo restrito recuaram 0,4% ante maio.

"Vamos continuar tendo quedas na margem, porque continuamos tendo quedas no mercado de trabalho e no crédito, então não tem como vir uma melhora. Este ano o quadro é realmente complicado", explicou. A Rosenberg projeta um decréscimo de 3% no varejo restrito em 2015.

No que se refere ao PIB, Thais espera queda expressiva entre abril e junho – a Rosenberg ainda não fechou sua previsão. Para o terceiro e quarto trimestres, pode haver quedas menos acentuadas ou inclusive estabilidade. A estimativa para o PIB no ano é de retração de 2%.

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