Varejo deve ter o pior Natal dos últimos 11 anos

Volume de vendas deve cair 4,8% neste ano sobre igual período de 2014, de acordo com estimativa da CNC

Estadão Conteúdo
06/Nov/2015
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Varejo deve ter o pior Natal dos últimos 11 anos

O comércio varejista se prepara para o pior Natal dos últimos 11 anos. A expectativa é de retração de 4,8% no volume vendido em relação ao ano anterior.

A percepção de que as vendas serão mais fracas deve fazer o número de empregados temporários encolher até 2,9%, de acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

"A última queda nas vendas do varejo ocorreu em 2003, mas não temos como mensurar as perdas daquela época, porque houve mudança na metodologia da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE. Mas sabemos, seguramente, que este será o pior Natal desde então", diz Fabio Bentes, economista da CNC.

Bentes já calculava queda de 4,1% no volume vendido pelo varejo nas festas de fim de ano, mas a previsão ficou mais pessimista diante de uma inflação persistente, dos juros altos e da confiança do consumidor longe de uma recuperação.

"Os juros do crédito livre para pessoa física atingiram o recorde de 62,3% ao ano em setembro. A confiança do consumidor continua no piso histórico, enquanto a inflação vem piorando mês a mês", diz.

Se a estimativa da CNC for confirmada, o varejo deve oferecer 138,6 mil vagas temporárias entre setembro e novembro, o menor saldo desde 2012, quando foram abertos 135,2 mil postos com esse tipo de vínculo.

O estudo prevê ainda que o salário médio de admissão deve ficar em R$ 1.444, um recuo de 0,2% ante o valor pago em 2014, descontada a inflação.

FATURAMENTO DO VAREJO

O faturamento real do varejo paulista manteve a sua trajetória de queda em agosto e apresentou retração de 9,3% na comparação com o mesmo mês de 2014, atingindo o montante de R$ 43 bilhões.

No ano, as vendas do varejo paulista já acumulam queda de 4,7%, com tendência de agravamento do quadro nos meses seguintes.

Os dados são compilados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

De acordo com a FecomercioSP, pelo segundo mês consecutivo as 16 regiões do Estado de São Paulo apresentaram queda geral nas vendas, o que aponta novamente para o agravamento do processo recessivo do varejo paulista.

Das nove atividades analisadas, sete apresentaram retração em agosto ante o mesmo mês de 2014. Em seis delas, a baixa foi de dois dígitos. O maior recuo (-25,4%) foi do setor de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, para R$ 3,3 bilhões.

O segmento de lojas de vestuário, tecidos e calçados teve queda de 20%, para R$ 3,4 bilhões, e o de materiais de construção baixou 18,3%, para R$ 3,1 bilhões. Juntos, os três segmentos contribuíram com 5,9 pontos porcentuais do resultado geral.

Apenas os segmentos de supermercados e farmácias e perfumarias apresentaram avanço na comparação com agosto do ano anterior, com altas respectivamente de 3,1%, para R$ 14,7 bilhões, e 1,8%, para R$ 3,1 bilhões.

Diante do cenário ruim para o varejo paulista e dos indicadores de crédito, confiança e nível de produção já disponíveis, a FecomercioSP considera que as estimativas apontam para uma queda ao redor de 13% das vendas em setembro ante o mesmo mês de 2014. Para o ano de 2015, a projeção é de uma baixa de 8%, a maior desde o início da série histórica da pesquisa.

 

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