Varejo paulista acumula queda de 6,5% nas vendas do ano
Estudo da ACSP mostra que, em agosto, todos os setores pesquisados obtiveram resultado negativo ante igual mês de 2014. Cenário só deve melhorar em meados de 2016

As vendas do comércio paulista recuaram 15,4% em agosto na comparação com igual mês do ano passado. Os números são do boletim ACVarejo, levantamento mensal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Na evolução mensal, houve recuo de 3,7% nas vendas frente a julho. Já a retração acumulada no ano é de 6,5% (janeiro a agosto).
Os dados correspondem ao varejo ampliado, que inclui lojas de materiais de construção e concessionárias de automóveis. Segundo a ACSP, os números mostram uma intensificação na queda das vendas, refletindo a piora da renda e do emprego, além da contração e encarecimento do crédito.
“Apesar deste aprofundamento, não devemos perder a esperança na recuperação. A exemplo de todas as crises que o país já enfrentou nos últimos 50 anos, sempre houve uma saída para os processos recessivos”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). “O Brasil tem condições de superar este momento, apesar das múltiplas vertentes da crise.”
Ainda assim, a melhora nos números do varejo do Estado de São Paulo só deve acontecer em meados do próximo ano.
Segundo Ulisses Gamboa, economista da ACSP, levando-se em consideração as pesquisas que refletem a confiança do consumidor, as vendas devem seguir em queda cada vez mais intensa até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2016. “As variáveis que causam a retração do consumo, com a queda no emprego e na renda, não serão revertidas tão rapidamente”, diz o economista.
FATURAMENTO
O recuo nas vendas derrubou o faturamento do varejo paulista. Na comparação entre agosto deste ano com igual mês do ano passado a queda foi de 5,9%. Tendo julho como parâmetro, a retração foi de 3,5%. Entretanto, no ano (até agosto), ainda é registrada alta de 1,4% no faturamento do comércio.
SETORES
O ACVarejo mostra redução no volume de vendas de todos os nove setores considerados, isso na comparação entre agosto deste ano com igual mês de 2014.
As maiores quedas ocorreram nas lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (-22,7%), concessionárias de veículos (-22,2%), lojas de material de construção (-18,3%) e lojas de móveis e decorações (-15,4%).
Gamboa lembra que esses setores que apresentaram as maiores quedas nas vendas são os que mais dependem de crédito, pois envolvem itens de maior valor agregado. “O crédito está mais caro e restrito. Mas o consumidor também está mais cauteloso antes de assumir novas dívidas”, comenta o economista da ACSP.
REGIÕES
Com crescimento de 1,6% sobre agosto de 2014, a região Metropolitana do Alto Tietê foi a única, dentre as 18 regiões administrativas do Estado, a apresentar números positivos em relação ao volume de vendas.
As maiores quedas aconteceram nas seguintes regiões: Litoral (-23,6%), (-21,2%), São José do Rio Preto/Alta Noroeste (-19,3%), Campinas (-18,8%) e Araçatuba (-18,1%). A capital paulista, por sua vez, teve retração de 17,1%.
A PESQUISA
O ACVarejo é elaborado mensalmente pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, com base em informações do varejo enviadas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).


