Varejo tem desempenho desigual entre os segmentos
Segundo Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo, o bom resultado de alguns segmentos mascara a realidade negativa da maioria do comércio varejista

A alta de 2,7% registrada pelo varejo no mês de maio, quando comparada a igual mês do ano passado, esconde a real situação do setor. O fato é que poucos segmentos varejistas de fato registram resultados positivos, mas seus bons desempenhos inflam a estatística geral.
Segundo Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o resultado anual “não serve de parâmetro para a performance do setor ao longo do ano, visto que as atividades do comércio apresentaram desempenhos extremamente desiguais durante a paralisação dos caminhoneiros.”
Burti cita como exemplo o ramo de combustíveis, que caiu 7,9% na variação anual, e o de supermercados, cujas vendas cresceram 8%. “Este segmento costuma trabalhar com estoque maior e viu uma corrida dos consumidores aos supermercados”.
A alta foi divulgada nesta quinta-feira, 12/07, pelo IBGE, e é relativa ao varejo restrito. Pelo estudo, seis das oito atividades do comércio varejista pesquisadas tiveram queda.
Tiveram recuo na produção as atividades de livros, jornais, revistas e papelaria (6,7%), equipamento e material para escritório, informática e comunicação (4,2%), tecidos, vestuário e calçados (3,2%), móveis e eletrodomésticos (2,7%) e artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (2,4%).
A única atividade com alta foi supermercados, alimentos, bebidas e fumo, com 0,6%. O segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico manteve-se estável.
GREVE
Para Burti, “a paralisação dos caminhoneiros impactou mais a indústria do que o varejo em função das entregas e foi um evento extraordinário não antecipado, que bagunçou a economia, sobrepondo-se, inclusive, à fatores conjunturais positivos”.
Os fatores são o alongamento dos prazos, o crescimento do emprego e dos salários e a queda dos juros.
O presidente da ACSP disse ainda que o comércio está longe de recuperar as perdas provocadas pela recessão: o varejo restrito está 7,1% abaixo do resultado recorde de outubro de 2014 e o ampliado encontra-se 16% inferior a março de 2012.
“Mas acreditamos que o setor deve continuar a se recuperar ao longo de 2018 e nos próximos anos”, afirma Burti.
IMAGEM: Paulo Pampolin

