Varejo torce por queda menor nas vendas de julho
Dados da Associação Comercial de São Paulo mostram que as vendas do varejo paulistano recuaram 9,2% na primeira quinzena do mês, desacelerando a queda de 11,1% do semestre

O comércio da capital paulista não atravessa o seu melhor momento, mas alguns sinais de melhora começam a aparecer. O tombo das vendas da primeira quinzena de julho foi grande, queda de 9,2% na comparação com igual período do ano passado. Ainda assim, está abaixo do recuo acumulado no primeiro semestre, de 11,1%.
Os números são da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ainda é preciso aguardar o final do mês para confirmar se o resultado de julho se mantém em igual patamar, mas segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), é possível começar a trabalhar com a hipótese de reversão da tendência de deterioração das vendas.
“A partir de agora esperamos um alívio, com redução gradual dessas quedas. Acreditamos numa reversão da deterioração da economia. É claro que, para vermos mais claramente se essa é realmente uma tendência conjuntural, precisamos esperar mais alguns meses, e observar se esse arrefecimento das quedas de fato permanece”, diz Burti.
A queda de 9,2% na quinzena é a média das vendas a prazo, que recuaram 4,3% no período, e das vendas à vista, que registraram queda de 14,1%. Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, a restrição ao crédito, e o próprio receio do consumidor de se endividar em um período de incertezas na economia, travam as vendas.
Para que esse consumidor volte às compras é preciso, além da volta do crédito, da retomada do emprego e renda. Alguns fatores macroeconômicos estão melhorando, ou parando de piorar, segundo o economista da ACSP.
A inflação, por exemplo, que estava acima de 10% no início do ano, hoje é de 8,8%. Apesar da redução, ela ainda é muito elevada para refletir positivamente no poder de compra. E o desemprego ainda assusta, com projeções que já apontam para 14 milhões de postos perdidos ao final do ano.
Se os números da comparação interanual apontam para uma possível melhora das vendas, na comparação entre a primeira quinzena de julho com a de junho o resultado é pouco animador.
Nessa comparação, as vendas a prazo recuaram 7,4%, enquanto a queda das vendas à vista foi de 22,5%. Na média, o recuo entre junho e julho foi de 19,95%. “Em junho tivemos o Dia dos Namorados, o que fortalece a base de comparação. Além disso, foi um mês em que o frio ajudou as vendas de vestuário”, disse Alfieri.
IMAGEM: Fátima Fernandes


