Volume de vendas no setor de serviços cai 3,5% em agosto

Esse é pior resultado para o mês desde o início da série, de acordo com os dados do IBGE

Estadão Conteúdo
15/Out/2015
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Volume de vendas no setor de serviços cai 3,5% em agosto

O volume de serviços prestados recuou 3,5% em agosto de 2015  em comparação com o mesmo mês de 2014, já descontados os efeitos da inflação, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do pior resultado para o mês desde o início da série, em janeiro de 2012. Em julho, a redução havia sido mais intensa, de 4,2%.

Esta é a primeira vez que o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Até o mês passado, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado.

Por esse indicador, a receita nominal avançou 1,0% em agosto deste ano em comparação com o mesmo mês de 2014.

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Com o resultado de agosto, o volume de serviços prestados acumula queda de 2,1% no ano. Já em 12 meses, o recuo de 1,1% é o maior já verificado em toda a série histórica.

A série da Pesquisa Mensal de Serviços foi iniciada em janeiro de 2012. Ainda não há dados com ajuste sazonal (que permitem a análise do mês contra o mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

FAMÍLIAS

 

FAMÍLIAS

O volume de serviços prestados às famílias teve, em agosto, a 15ª queda consecutiva no confronto com igual mês do ano anterior, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Embora tenha peso relativamente pequeno, cerca de 5%, o setor reage à desaceleração na renda das famílias e ao aumento do desemprego.

Em junho de 2014, os serviços prestados às famílias deram início à sequência de taxas negativas, em um momento que a renda das famílias ainda crescia, mesmo que a taxas menores.

"As famílias já retraíam seu consumo em relação a esses bens, como alimentação fora de casa. Viajaram menos, consumiram menos. As famílias passaram a ser mais seletivas, mesmo com renda subindo", diz Roberto Saldanha, pesquisador da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

A explicação é o comportamento da inflação, que acelerou fortemente a partir de março de 2014. Desde junho do ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses só ficou abaixo do teto da meta (6,5%) por um mês, em dezembro de 2014. Em setembro, fechou em 9,49%. Com isso, os consumidores começaram a selecionar mais os gastos e dispensaram alguns supérfluos, explicou o pesquisador.

Agora, a retração no poder de compra dos brasileiros e a alta no desemprego são ingredientes a mais, que contribuem para intensificar a queda nos serviços prestados às famílias. Em agosto, houve queda de 8,2% no volume ante igual mês do ano passado, o segundo pior resultado da série, iniciada em janeiro de 2012.

"Há uma queda muito forte, puxada pelo setor de alojamento e alimentação", disse Saldanha. "Tivemos uma retração no poder de compra das famílias, o rendimento médio real encolheu 3,5% em agosto ante agosto do ano passado.

A massa de rendimento real caiu 5,4% no período. Esses fatores , além do aumento do desemprego e da própria inflação, estão levando a uma retração nesses serviços", afirmou o pesquisador

 

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