Taurus comemora fim das tarifas dos EUA sobre armas brasileiras; ações sobem 9%

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Maior fabricante de armas de fogo do país, a Taurus comemorou o fim do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirma que a medida, anunciada nesta sexta-feira (20), vai permitir o fortalecimento de sua posição no mercado norte-americano.

Em seus cálculos, foram perdidos mais de US$ 18 milhões durante a vigência das tarifas de 50% sobre as armas exportadas. O impacto foi sentido diretamente no caixa e nos resultados operacionais, com queda de 11% na receita operacional líquida do terceiro trimestre de 2025 na comparação com o mesmo período de 2024.

Sozinho, o mercado norte-americano é responsável por quase 80% da receita total da companhia no segmento de armas e acessórios. Na tarde desta sexta, as ações da companhia na Bolsa subiam 9%, com papéis negociados a R$ 5,70.

“A eliminação dessas tarifas, somada às recentes medidas adotadas pela gestão [da empresa], torna a Taurus ainda mais competitiva em seus principais mercados, fortalecendo sua posição nos Estados Unidos e no mundo”, diz a Taurus em comunicado nesta sexta-feira (20).

A companhia afirma que aguarda quais serão as próximas decisões do governo Trump para avaliar a possibilidade de reembolso dos valores pagos. Essa possibilidade de restituição, no entanto, é classificada por empresas envolvidas nas negociações pelo fim do tarifaço como confusa, pois existe a possibilidade de reformulação das tarifas por outros meios.

A Suprema Corte dos EUA determinou, nesta sexta-feira (20), que as tarifas impostas por Donald Trump sobre diversos países são ilegais. O tribunal, de maioria conservadora, teve 6 votos pelo fim das sobretaxas, contra 3.

O principal argumento usado pelos magistrados é que o presidente não pode impor tarifas amplas sem autorização explícita do Congresso.

“A companhia seguirá acompanhando os desdobramentos regulatórios”, completa a Taurus.

Em julho, logo após o anúncio da sobretaxa do governo Trump sobre os produtos brasileiros, o presidente da companhia, Salesio Nuhs, afirmou que cogitava transferir parte das operações da Taurus para a Geórgia (EUA), onde a companhia tem fábrica.

Para contornar a crise, a companhia transferiu imediatamente as linhas de produção das pistolas da família G para atender o mercado norte-americano e havia a promessa de transferência dos principais modelos de revólveres do mercado internacional nos meses seguintes, caso a situação se agravasse.

A Taurus também ampliou os estoques de armas longas até o começo de agosto, quando se iniciou o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, segundo a companhia, ajudou a preservar margens sobre parte das vendas após o início das tarifas.

Até o terceiro trimestre do ano passado, foram comercializadas 605 mil armas da Taurus nos EUA, uma queda de 19,5% na comparação com o mesmo período de 2024.

Para efetivar a guerra comercial com a implementação da tarifas sobre produtos, Trump se apoiou na Ieepa (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional). Para o presidente do Supremo dos EUA, John Roberts, o órgão “autoriza o presidente a investigar, bloquear durante a pendência de uma investigação, regular, dirigir e obrigar, anular, invalidar, prevenir ou proibir a importação ou a exportação” e aponta que, nesta lista, não há menção a tarifas ou impostos.

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