Por que a redução de tarifas dos EUA sobre produtos como o café pode não ser tão boa quanto parece

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) Por que a redução de tarifas dos EUA sobre produtos como o café pode não ser tão boa quanto parece e outras notícias do mercado para começar esta segunda-feira (17).

CAFÉ GELADO

Lula se reuniu com Donald Trump. Mauro Vieira, o chanceler brasileiro, se reuniu repetidas vezes com o representante americano de negociações, Marco Rubio. Mesmo assim, nada resolveu o imbróglio tarifário entre os dois países.

A situação piora para alguns setores com anúncios da Casa Branca. Vamos entender.

Más notícias correm. Donald Trump assinou na sexta-feira (14) a redução das tarifas de importação sobre carne bovina, tomate, café e banana —uma resposta à pressão que o aumento de preço desses produtos exerce sobre a inflação.

O decreto publicado por Trump, porém, vale apenas para a alíquota de 10% das chamadas “tarifas recíprocas”, impostas em abril a todos os países. Na prática, pouco muda para o Brasil: a sobretaxa de 40%, criada sob medida, continua valendo.

À primeira vista… parece bom, não? O Brasil é o maior exportador global de café e carne bovina. Que mal faria um pouco menos de encargo sobre produtos que estão entre os mais comercializados pelo país?

O setor cafeeiro discorda. A manutenção da tarifa de 40% sobre as exportações brasileiras, enquanto países concorrentes recebem isenção, coloca os produtores nacionais em desvantagem.

O medo é que países como Colômbia, Costa Rica, Etiópia, Vietnã e Indonésia ocupem o espaço nos blends (mistura de grãos) vendidos aos americanos, e que o consumidor do país se acostume aos novos sabores.

De agosto a outubro, as exportações de cafés especiais nacionais para os EUA caíram 55% em relação ao mesmo período de 2024, de 412 mil para 190 mil sacas de 60 kg.

😮‍💨 Nem tudo está perdido. 80 produtos agrícolas exportados serão beneficiados pela redução das taxas divulgada pela Casa Branca, segundo uma análise preliminar da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Eles representaram, em 2024, US$ 4,6 bilhões (R$ 24,4 bilhões) em vendas aos americanos (11% do total).

Os exportadores de carne bovina estão menos apreensivos do que os cafeeiros. Na maioria, porque conseguiram redirecionar suas vendas para países da União Europeia e para a China.

PIXVERSÁRIO

Ontem, o Pix completou cinco anos. Sim, ele já tem a idade de uma criança em época de alfabetização. Vamos ver o que mudou no sistema de pagamentos brasileiro desde que ele chegou ao mundo.

👍 Caiu no gosto. O sistema de pagamento instantâneo reúne 162 milhões de brasileiros —um número que supera a população economicamente ativa, estimada em cerca de 110 milhões.

Só em outubro, foram realizadas 7,3 bilhões de transações, que movimentaram R$ 3,3 trilhões. Esse volume equivale a cerca de um terço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

O método deve chegar a 7,9 bilhões de transações em dezembro, impulsionado pelas compras de fim de ano.

Sim, mas… o TED (Transferência Eletrônica Disponível) ainda supera o irmão mais novo em termos de valor movimentado, com R$ 3,9 trilhões em outubro. Isso ocorre porque o Pix é gratuito apenas para pessoas físicas, tornando outros métodos mais baratos para empresas.

Ainda causa medo? Em algumas pessoas, sim. A segurança do sistema está no centro do debate, sobretudo depois de invasões que desviaram bilhões de reais.

Um ataque hacker de junho deste ano desviou cerca de R$ 813 milhões de contas usadas por bancos e instituições de pagamentos para gerenciar transferências Pix.

Para evitar novas ocorrências, o BC está criando duas regulamentações para PSTIs (Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação), que foram a porta de entrada dos hackers.

O que vem por aí? O Pix ganhou diferentes formatos desde o lançamento —agendado, por aproximação, por cobrança, saque e troco, automático, entre outros. Estão nos planos:

Parcelado: o usuário poderá parcelar uma transação.

Em garantia: permitirá que os recebíveis futuros de Pix sejam usados como garantia em operações de crédito.

Internacional: será possível enviar e receber valores do exterior. Esse modo, no entanto, está mais distante de virar realidade do que os outros.

TROCA DE CHEFE

Começamos a segunda-feira com uma reflexão: se seu chefe anunciasse que está deixando o cargo, você sentiria alívio ou medo?

A Apple está acelerando os planos para a saída do CEO, Tim Cook. A previsão é de que ele seja substituído em 2026 —que está logo ali, vale lembrar.

Quem? Ex-chefe de operações da Apple, Cook completou 65 anos neste mês e lidera a empresa desde 2011. Ele substituiu o fundador da empresa, Steve Jobs, que morreu meses depois.

Nesse período, o valor de mercado da companhia disparou de US$ 350 bilhões (R$ 1,9 trilhão) em 2011 para US$ 4 trilhões (R$ 21,2 trilhões) hoje.

Novos ares. A mudança, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico Financial Times, é mais motivada pela necessidade de refrescar a gestão da empresa do que qualquer outra coisa —é bom mexer na casa de vez em quando.

Vai mal? A Apple vive um momento de emoções mistas. Há satisfação com o desempenho comercial: os modelos de iPhone lançados neste ano agradaram o público e há expectativa positiva sobre as vendas nas festas de fim de ano.

Fortes resultados no último trimestre levaram as ações da Apple, negociadas à Nasdaq, a um patamar quase recorde. Hoje, um papel custa US$ 272 (R$ 1.441).

O preço das ações da empresa subiu 12% ao longo do ano. No entanto, a valorização foi menor do que a vista em outras empresas do setor, como Nvidia, Alphabet e Microsoft.

Em parte, isso se deve ao fato de a Apple ter ficado para trás no quesito entusiasmo do mercado tech com a inteligência artificial. O movimento é contrário ao da concorrência: as concorrentes investiram muito em IA e aproveitaram o fluxo de capital que veio disso.

⭐ Vem aí. A principal aposta do setor é que John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware da Apple, substitua Tim Cook.

O nome é bem quisto pelo Vale do Silício. A ideia de colocar alguém que já está à frente das inovações tecnológicas no holofote faz sentido para os investidores.

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Ovos, não. “Eggs”. A Mantiqueira e a JBS compraram a Hickman’s Egg Ranch, uma das maiores produtoras de ovos dos EUA.

📈 Vale a pena entrar na Bolsa? Mesmo com o mercado de ações brasileiro batendo recordes, investidores apostam que ainda há espaço para lucrar. Entenda o que faz sentido para a sua carteira.

🚛 “Help!”. O agronegócio pediu ajuda ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar frear as multas por descumprimento do piso mínimo do frete dos caminhoneiros, que cresceram dez vezes em um ano.

🚗 Reaproximação. A Renault e a Nissan voltaram a conversar sobre uma aliança depois de mudanças nos CEOs.

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